Ela reforçou que nesses 33 anos de luta, leis foram criadas a partir da insistência das famílias, porém ainda é necessário ações de governo no combate ao desaparecimento, para que não haja retrocessos em mudanças de gestão. Ela citou, como exemplo, o Cadastro Nacional dos Desaparecidos, que ainda não teve adesão do estado de São Paulo. Ivanise Esperidião da Silva, presidente e fundadora da Associação Mães da Sé, entrou na luta a partir do desaparecimento de sua filha de 13 anos, em dezembro de 1995. Ela conta que a sociedade não prestava atenção a fatos como esse e que por três meses procurou a filha sozinha em São Paulo, passando por todos os hospitais e necrotérios. Segundo ela, o tema era pouco abordado e as pessoas não entendiam, nem mesmo os veículos de comunicação.“A minha filha desapareceu com 13 anos no bairro do Jaraguá. Ela ia para a escola e nunca mais voltou. Minha filha desapareceu numa época em que não se falava sobre desaparecimento. Para a polícia, era só mais um boletim de ocorrência, como é até hoje. Os familiares buscam a delegacia porque tem a necessidade do boletim de ocorrência, mas para eles a gente é só mais um número, porque se não existir o indício de um crime, não há investigação”, disse.
“Nós já estamos há 30 anos nessa luta e hoje a criação do Movimento Nacional de Familiares de Desaparecidos é a união e o fortalecimento de várias organizações, dos laços com essas famílias, para que a gente possa unir forças e cobrar das autoridades que essa realidade mude. Queremos ajudar as famílias, que em sua grande maioria, desconhecem seus direitos e que buscam em nós seu último fio de esperança”, afirmou.










