O governo federal apresentou nesta 6ª feira (29.ago.2025) o Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) para 2026, que projeta um limite de despesas primárias de R$ 2,428 trilhões.
Embora o maior gasto do governo seja com a dívida pública federal, que totaliza R$ 2,86 trilhões, a análise das despesas ministeriais mostra a pressão da Previdência Social sobre as contas públicas.
O Ministério da Previdência Social detém o maior orçamento entre as pastas, com uma dotação de R$ 1,152 trilhão, evidenciando o peso das despesas obrigatórias na estrutura de gastos do país.
O detalhamento do orçamento mostra que os benefícios previdenciários representam, sozinhos, R$ 1,11 trilhão das despesas sujeitas ao teto de gastos.
Esse valor representa o maior aumento entre as despesas obrigatórias em comparação com a avaliação do ano anterior, com um acréscimo de R$ 89 bilhões.
O crescimento é impulsionado, em parte, pela política de valorização do salário mínimo, projetado para R$ 1.631,00 em 2026, que corrige os benefícios pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) mais o crescimento real da economia.
A rigidez orçamentária é um dos principais desafios para a gestão fiscal. Segundo os dados do Ploa 2026, as despesas obrigatórias correspondem a 92,4% do total, deixando uma margem de apenas 7,6% para as despesas discricionárias (aquelas que o governo pode contingenciar ou bloquear) e que incluem investimentos e o custeio da máquina pública.
A trajetória de crescimento dos gastos com a Previdência não é um desafio de curto prazo. As projeções do Marco Orçamentário de Médio Prazo, incluídas no Ploa, indicam que os gastos com a Previdência devem continuar subindo, alcançando R$ 1,308 trilhão em 2029.
Diante deste cenário, o governo busca cumprir a meta de resultado primário de R$ 34,3 bilhões em 2026, equivalente a 0,25% do PIB.Para isso, precisará equilibrar a expansão das despesas obrigatórias com a necessidade de manter a sustentabilidade fiscal e o espaço para investimentos essenciais, como os R$ 52,9 bilhões previstos para o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Leia orçamento por órgão (em R$ milhões)