• Terça-feira, 19 de maio de 2026

Tecnologia, segurança e ouro: como a AngloGold opera uma das minas mais profundas do Brasil

Luís Otávio de Lima, presidente da AngloGold Ashanti Latam, fala sobre os desafios de liderar operações no Brasil e na Argentina

A mineração moderna passa cada vez mais por tecnologia, segurança operacional e planejamento de longo prazo. Em Minas Gerais, a AngloGold Ashanti mantém uma das operações subterrâneas mais complexas do país, utilizando automação, monitoramento em tempo real e equipamentos operados remotamente a mais de 1.600 metros de profundidade.

No Itatiaia Negócios Cast, Luís Otávio de Lima, presidente da AngloGold Ashanti Latam, explica como funciona a estrutura da Mina Cuiabá, detalha os investimentos da companhia em sustentabilidade e comenta os desafios de liderar operações de mineração no Brasil e na Argentina.

Ao longo da entrevista, o executivo também fala sobre diversidade, segurança, descaracterização de barragens, valorização do ouro, liderança de equipes e o papel estratégico da mineração para o desenvolvimento econômico.

Leia a entrevista completa:

Leonardo Bortoletto: Olá, eu sou Leonardo Bortoletto. Você está no Itatiaia Negócios, espaço criado pela Itatiaia para levar o mundo dos negócios para dentro da sua casa de maneira descomplicada. Hoje eu recebo Luís Otávio de Lima, presidente da AngloGold Ashanti Latam. Luís, seja muito bem-vindo.

Luís Otávio de Lima: Léo, muito obrigado. É uma honra estar aqui com vocês na Itatiaia. Espero que seja uma ótima conversa.

Leonardo Bortoletto: A AngloGold tem uma história enorme no Brasil. Qual é o DNA dessa companhia?

Luís Otávio de Lima: A AngloGold Ashanti tem uma história muito forte no Brasil. São décadas de operação e de conexão com famílias, comunidades e regiões inteiras. É uma empresa que sempre trabalhou com visão de longo prazo, disciplina operacional e confiança no país. Eu particularmente não vejo mineração sustentável sem conexão com pessoas, comunidades, sociedade e meio ambiente. Esses pilares fazem parte do sucesso da AngloGold Ashanti.

Leonardo Bortoletto: A mineração ainda carrega muitos estigmas. Como a empresa trabalha essa relação com a sociedade?

Luís Otávio de Lima: Nós temos um trabalho muito forte de sustentabilidade e escuta ativa. Mantemos as portas abertas e buscamos trabalhar em conjunto com as comunidades. Hoje a tecnologia também ajuda muito. Temos monitoramento em tempo real, controles rígidos e padrões internacionais de segurança aplicados em todas as operações da empresa no Brasil e na Argentina.

Leonardo Bortoletto: O que pesa mais nas suas decisões? Segurança, custo ou prazo?

Luís Otávio de Lima: Segurança. Sem dúvida. Segurança na AngloGold é inegociável. Todas as decisões de curto, médio e longo prazo passam pela segurança das pessoas. O principal objetivo é garantir que todos os colaboradores voltem para casa melhor do que chegaram para trabalhar.

Leonardo Bortoletto: Como foi assumir a liderança da operação Latam?

Luís Otávio de Lima: Foi um grande desafio. Eu comecei na AngloGold Ashanti como gerente de manutenção de equipamentos e fui passando por diferentes posições até assumir a presidência da operação Latam. Hoje temos três grandes unidades globais: Austrália, África e América Latina. A unidade Latam representa 16% da produção global da companhia, mas responde por cerca de 26% do resultado financeiro.

Leonardo Bortoletto: Então é uma operação muito eficiente. Luís Otávio de Lima: Exatamente. Isso significa produzir ouro de forma sustentável, com produtividade, qualidade, controle de custos e principalmente segurança. Leonardo Bortoletto: Na sua visão, liderança exige mais engenharia ou gestão de pessoas?

Luís Otávio de Lima: Gestão de pessoas. Eu costumo dizer que 95% do negócio são pessoas e apenas 5% é movimentação de rocha. O segredo é ter as pessoas certas nos lugares certos. Leonardo Bortoletto: E a diversidade mudou a operação?

Luís Otávio de Lima: Muito. Hoje temos mulheres operando no subsolo, em áreas operacionais e em funções estratégicas. Em algumas operações saímos de 7% para quase 23% de participação feminina. Empresas diversas são mais seguras, mais competitivas e mais eficientes.

Leonardo Bortoletto: A Mina Cuiabá é considerada a mais profunda do Brasil. Como funciona uma operação desse tamanho?

Luís Otávio de Lima: A Mina Cuiabá fica em Sabará, na Grande Belo Horizonte. São cerca de 1.600 metros de profundidade, mais de 330 quilômetros de galerias subterrâneas e 26 quilômetros de rampa para acesso ao subsolo. Hoje temos equipamentos operados remotamente da superfície. O operador fica fora da mina e controla a carregadeira em profundidade. Também temos cobertura total de Wi-Fi no subsolo e sistemas que permitem monitorar em tempo real a localização das pessoas dentro da mina.

Leonardo Bortoletto: Isso parece quase um centro tecnológico.

Luís Otávio de Lima: Hoje tecnologia é essencial para garantir segurança, produtividade e eficiência operacional em minas profundas. Temos ventilação inteligente, telemetria, sensores e monitoramento constante dos equipamentos.

Leonardo Bortoletto: Esses investimentos são motivados por eficiência ou sobrevivência operacional?

Luís Otávio de Lima: Primeiro por segurança e bem-estar das pessoas. Depois por eficiência e sustentabilidade do negócio. Investimento em tecnologia não pode ser tratado apenas como custo. É conexão com a longevidade da operação.

Leonardo Bortoletto: A AngloGold possui uma certificação importante ligada à rastreabilidade do ouro. O que isso representa?

Luís Otávio de Lima: Nós temos a certificação LBMA, que garante rastreabilidade completa do ouro produzido pela companhia. Ela acompanha desde a pesquisa mineral até a produção final da barra de ouro. Isso exige auditorias internacionais e padrões extremamente rígidos.

Leonardo Bortoletto: O rejeito a seco virou caminho sem volta na mineração?

Luís Otávio de Lima: Eu vejo como evolução do processo. Desde 2022 operamos com rejeito filtrado a seco. Hoje utilizamos esse material inclusive na descaracterização das nossas barragens, reduzindo impactos e aumentando segurança.

Leonardo Bortoletto: O ouro vive um momento histórico de valorização. Isso muda a velocidade dos investimentos?

Luís Otávio de Lima: Nós trabalhamos sempre olhando o longo prazo. Não podemos viver apenas o momento do mercado. Toda mina tem planejamento de vida útil e os investimentos precisam seguir uma estratégia sustentável.

Leonardo Bortoletto: E quais são os próximos focos da companhia?

Luís Otávio de Lima: Continuar investindo em tecnologia, sustentabilidade e expansão das operações no Brasil e na Argentina.

Leonardo Bortoletto: Quero falar também sobre o projeto Nova Lima.

Luís Otávio de Lima: Esse é um projeto que eu gosto muito. Fizemos uma escuta com mais de 1.500 pessoas para entender como gerar valor para aquela área histórica da companhia. O projeto envolve preservação do patrimônio histórico, áreas verdes, mobilidade urbana, desenvolvimento econômico e moradia.

Leonardo Bortoletto: Vamos ao Raio X. Mineração profunda ou mineração rasa?

Luís Otávio de Lima: Ambas.

Leonardo Bortoletto: Crescer mais ou operar melhor?

Luís Otávio de Lima: Operar melhor.

Leonardo Bortoletto: Ouro é ativo financeiro ou estratégico?

Luís Otávio de Lima: Os dois.

Leonardo Bortoletto: Pergunta de ouro: a mineração ainda gera desenvolvimento real para as cidades?

Luís Otávio de Lima: Sempre gera valor. Seja em empregos, arrecadação, projetos sociais, cultura, educação ou desenvolvimento regional. Só no último ano foram mais de 40 projetos apoiados pela AngloGold Ashanti.

Leonardo Bortoletto: E quando o ouro sobe, quem ganha além dos investidores?

Luís Otávio de Lima: Todo mundo. Municípios, trabalhadores, empresas e comunidades.

Leonardo Bortoletto: Agora temos uma pergunta enviada por Bruno Simão, do Banco Mercantil. Bruno Simão: Como você constrói seu grupo de liderança?

Luís Otávio de Lima: Buscando as melhores pessoas, alinhadas aos valores da companhia. Segurança, respeito, integridade, sustentabilidade e colaboração precisam fazer parte da liderança. No nosso time não existe estrela. O resultado é sempre coletivo.

Leonardo Bortoletto: Para encerrar, dois conselhos para quem lidera operações complexas.

Luís Otávio de Lima: Primeiro: segurança não pode ter meio-termo. Segundo: foco total nas pessoas. Uma operação de classe mundial só existe com pessoas de classe mundial.

Leonardo Bortoletto: Luís, obrigado pela presença.

Luís Otávio de Lima: Eu que agradeço. Foi um privilégio participar.

Confira mais fotos e vídeos da Mina Cuiabá:

Por: ITATIAIA

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