• Terça-feira, 19 de maio de 2026

Biotecnologia transforma a realidade do agro brasileiro

Melhoria na produção, soluções climáticas e sistemas de irrigação apontam o uso da tecnologia como caminho para maior eficiência e retorno financeiro no campo

A integração de tecnologias inovadoras têm surgido como alternativa para reduzir riscos climáticos e aperfeiçoar a produção no agronegócio brasileiro. A biotecnologia, por exemplo, permitiu avanços significativos na produtividade de culturas como o milho, possibilitando até três safras anuais em determinadas regiões do país. O uso mais eficiente da água também se destaca como um dos principais benefícios, aliado ao monitoramento e à melhor distribuição dos recursos hídricos no campo.

Diretor da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) e da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), André Deboschi afirma que a tecnologia tem possibilitado uma irrigação mais consciente e eficiente, ampliando a produtividade agrícola mesmo em períodos de menor incidência de chuvas.

“A inteligência agronômica brasileira está muito avançada e consegue oferecer soluções para a cultura do milho e de outras lavouras. Em períodos de inverno ou de menor volume de chuvas, a tecnologia permite distribuir e regular a água disponível de forma mais eficiente para as culturas”, explica.

Em uma fazenda de suínos destinada ao abate, em Cordisburgo, o produtor Mário Lúcio Assis transformou um problema ambiental em solução econômica e energética. Os dejetos dos animais são coletados e direcionados a biodigestores fechados. Sem a presença de oxigênio, bactérias realizam a decomposição da matéria orgânica, gerando benefícios ambientais e produtivos.

“Se não houvesse uma forma adequada de destinar os dejetos, seria inviável manter a suinocultura, já que eles são altamente poluentes quando concentrados. Como possuem alto potencial fertilizante, utilizamos na fertirrigação das áreas da fazenda. Isso melhora o solo, a plantação, o capim e traz ganhos para a criação do gado”, relata.

O melhor aproveitamento da água e o reaproveitamento de resíduos que antes poderiam causar impactos ambientais também contribuem para o aumento da produtividade e para o cumprimento de exigências ambientais cada vez mais rigorosas no mercado internacional. Em Minas Gerais, estudos ligados ao Selo Verde têm contribuído para adequar a produção às demandas de sustentabilidade exigidas por países importadores.

Analista de agronegócios do sistema Faemg/Senar, Ana Carolina Gomes destaca que os produtores brasileiros têm se adaptado às exigências ambientais para ampliar o acesso a mercados mais rigorosos, como os europeus.

“Essa adaptação já faz parte do cotidiano do produtor rural. Hoje, muitos já incorporaram práticas sustentáveis, evitando o desmatamento e seguindo legislações ambientais rígidas, que no Brasil são mais exigentes do que em diversos outros países. O desafio agora é definir ferramentas que garantam a rastreabilidade dos produtos, comprovando que eles foram produzidos sem degradação ambiental”, explica.

Confira a reportagem completa:

Por: ITATIAIA

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