O Ministério da Fazenda elevou de 3,7% para 4,5% a projeção para o Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, como reflexo dos impactos da guerra no Oriente Médio. Os dados fazem parte do Boletim Macrofiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) nesta segunda-feira (18).
Segundo o governo federal, o cenário internacional deteriorou-se de forma “relevante" desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã. O relatório destaca que o fechamento do Estreito de Ormuz e o choque nos preços do petróleo reverteram as perspectivas de crescimento e pressionaram a inflação global. Os dados, porém, contrastam com a projeção de 4,92% neste ano feita pelos especialistas do mercado financeiro ouvidos no Boletim Focus.
“O choque de oferta se propaga de modo diferenciado entre as economias, a depender da intensidade e composição energética da produção e balança comercial, da ancoragem das expectativas inflacionárias e do grau de abertura comercial. Nesse ambiente de incerteza elevada, os principais bancos centrais adotaram postura mais cautelosa, postergando ou interrompendo ciclos de afrouxamento monetário”, explica o boletim.
O documento também ressalta que, antes do início dos conflitos, o IPCA apresentava uma trajetória de desaceleração com convergência para o centro da meta de 3%. Agora, a projeção coloca o indicador no teto da tolerância do objetivo da equipe econômica do governo, considerando o intervalo de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
“Desde março, contudo, o choque na cotação internacional do petróleo, além de afetar os preços dos combustíveis, passou a pressionar insumos industriais e custos de transporte, com possíveis desdobramentos em itens da cadeia de alimentos. Esse cenário é compatível com uma trajetória de inflação mais disseminada e persistente ao longo de 2026”, destaca.
Em meio a trajetória de alta na inflação, o Ministério da Fazenda prevê agora uma taxa Selic mais alta a 13% ao ano, ante 12% ao ano, o que contribui para uma desaceleração da economia. Apesar dessa mudança nos juros de referência, o governo segue projetando 2,3% de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.
Segundo o relatório, isso ocorre em razão de uma taxa de câmbio mais apreciada com os efeitos do preço do petróleo na balança comercial. A estimativa para o fechamento do dólar em 2026 caiu de R$ 5,32 para R$ 5,16, uma apreciação de 3% já considerando o câmbio efetivamente observado até abril.
O efeito contracionista da Selic mais elevada é compensado pela alta do preço do petróleo, que atua por dois canais: os efeitos diretos sobre a indústria extrativa e seus encadeamentos produtivos, e a melhora dos termos de troca e do saldo da balança comercial,
movimento já observado nos dados até abril.





