O crescimento da produção de tilápias em Santa Catarina vem mudando não apenas a paisagem das propriedades rurais, mas também a lógica econômica da piscicultura no Oeste do Estado. Em Caxambu do Sul, uma iniciativa criada por produtores locais conseguiu barrar a chamada “fuga de dinheiro” da atividade ao investir em um frigorífico próprio, agregando valor ao pescado e mantendo parte do lucro dentro do município.
A mudança de chave aconteceu com a família Sgnaulin. O que começou há mais de 20 anos como uma alternativa para complementar a renda da propriedade virou hoje um frigorífico que abate cerca de 10 toneladas de tilápia por semana e se tornou referência regional no setor.
No início da atividade, o produtor Volmir Sgnaulin comercializava os peixes principalmente para os estados do Rio Grande do Sul e São Paulo. O problema era que boa parte do valor agregado da produção acabava ficando fora de Santa Catarina, já que o processamento acontecia em outros centros.
Além disso, os produtores conviviam com dificuldades logísticas, atrasos nos pagamentos e insegurança na comercialização.
— O intuito era garantir que os produtores conseguissem vender e receber pelo produto entregue — explica Lucas Sgnaulin, filho do casal e um dos responsáveis pelo frigorífico.
Foi nesse cenário que surgiu a ideia de criar uma estrutura própria de abate e processamento. Enquanto Volmir cuidava da produção nos açudes, Janete Sgnaulin começou a preparar filés artesanalmente para aumentar a renda da família. A iniciativa acabou servindo de base para o nascimento do frigorífico Saborfish.
O projeto ganhou força em 2018 com apoio de recursos do Programa SC Rural, Pronaf e investimentos feitos pelos próprios produtores do município. A proposta era fortalecer toda a cadeia produtiva da tilápia em Caxambu do Sul.
No começo, os abates chegavam a cerca de 200 quilos por dia. Os próprios piscicultores ajudavam no processamento dos filés devido à falta de mão de obra especializada.
Hoje, a estrutura possui selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), emprega 10 funcionários fixos e cerca de 15 diaristas, além de processar aproximadamente 10 toneladas de peixe por semana. Cerca de 90% da matéria-prima vem de produtores do próprio município.
— Eu costumo dizer que Caxambu do Sul é conhecida pela melancia, mas já pode ser chamada de cidade da tilápia — brinca Lucas.
O crescimento da atividade também impulsionou a sucessão familiar. Além de Lucas, a filha Tayná Sgnaulin passou a atuar diretamente no setor e hoje trabalha como técnica do Senar, auxiliando produtores da região.
Atualmente, Caxambu do Sul conta com cerca de 30 produtores comerciais de tilápia e vem se consolidando como uma das referências catarinenses na piscicultura.
Segundo dados da Epagri, Santa Catarina é hoje o quarto maior produtor de tilápia do Brasil. Em 2024, o Estado ultrapassou as 44 mil toneladas produzidas, crescimento superior a 46% em comparação com 2015.





