• Sábado, 24 de janeiro de 2026

IPCA-15 confirma alívio nos preços, mas ainda há risco, avalia mercado

Em novembro, IPCA-15 ficou em 0,2%, acelerando em relação a outubro (0,18%). Já no acumulado de 12 meses até novembro, o índice foi de 4,5%

Os dados referentes ao mês de novembro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a “prévia” da oficial do país, confirmam um cenário mais benigno para os preços, mas não significam que a situação está totalmente sob controle. Esta é a avaliação predominante entre economistas e analistas do mercado financeiro consultados pela reportagem do Metrópoles nesta manhã, pouco depois da divulgação dos números do IPCA-15 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (). , acelerando em relação a outubro (0,18%). Já no acumulado de 12 meses até novembro, o indicador foi de 4,5%, abaixo dos 4,94% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. No acumulado dos 11 primeiros meses de 2025, o índice ficou em 4,15%. veio praticamente em linha com a média das estimativas dos analistas do mercado, que eram de 0,18% na base mensal e 4,49% na comparação anual. O que diz o mercado Segundo Claudia Moreno, economista do C6 Bank, “os preços de serviços subjacentes – que excluem itens mais voláteis, como as passagens aéreas – continuam pressionados, com alta de 6,2% em 12 meses”. “Isso mostra que, mesmo com a recente desaceleração da inflação, que vem sendo puxada pela queda do dólar, o cenário segue desafiador”, avalia. Moreno observa que “a queda nos preços das commodities e a desvalorização do dólar frente ao real têm contribuído para aliviar a pressão sobre os alimentos e os bens industriais”. “Essa recente melhora nos preços é muito bem-vinda, mas não significa que a inflação está sob controle. Nossa expectativa é de que o IPCA termine o ano em 4,5%, no limite do intervalo de tolerância da meta”, projeta a economista. “Já para 2026, esperamos uma inflação mais pressionada, impulsionada pelo mercado de trabalho aquecido e pela nossa projeção de um dólar mais forte à frente”, prossegue Moreno. Segundo a economista do C6, os dados do IPCA-15 não mudam a projeção do banco de que a taxa Selic deve ser mantida em 15% na última reunião do Copom, em dezembro. “Acreditamos que o ciclo de cortes começará apenas em março do ano que vem, com os juros terminando 2026 em 13%”, diz Moreno. Para André Valério, economista sênior do Banco Inter, “o qualitativo do IPCA-15 apresentou leve piora”. “A média dos núcleos avançou de 0,22% em outubro para 0,27% em novembro, mas manteve tendência de queda na média móvel de três meses, que agora está em 0,23%, menor valor desde setembro de 2023”, aponta. “O resultado de novembro reafirma o processo de desinflação, apesar de alguma piora na margem no aspecto qualitativo. Mantemos a nossa expectativa de que o IPCA cheio continue desacelerando, o que faria com que a inflação encerrasse 2025 dentro do teto da meta de 4,5%. Com isso, vemos as condições postas para o Copom iniciar o ciclo de queda da Selic na reunião de janeiro, cortando 25 pontos-base”, afirma Valério. Leia também De acordo com Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, “a desaceleração dos preços administrados, sobretudo energia elétrica e combustíveis, foi suficiente para compensar a maior pressão dos preços livres, especialmente em serviços”. “Do ponto de vista qualitativo, o índice segue exibindo sinais de perda de tração nos núcleos implícitos, ainda que em ritmo moderado. Os serviços subjacentes permanecem acima do nível compatível com a meta, mas sem aceleração relevante. Esse comportamento, somado à continuidade do alívio em bens industriais e à inflação de alimentos ainda benigna, reforça a leitura de que o processo desinflacionário está intacto, embora não totalmente concluído”, avalia Benedito. Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, observa que o resultado do IPCA-15 de novembro “veio levemente acima do esperado” e reforçou “a leitura de um processo desinflacionário ainda presente, mas mais lento e sujeito a ruídos”. “A abertura do índice mostra que os preços monitorados continuam exercendo pressão, alimentação e bebidas subiram depois de cinco meses de queda, enquanto os núcleos avançaram um pouco, mas seguem em trajetória benigna, o que é positivo para a meta de inflação de 2025. Já a difusão de alta de preços aumentou”, afirma. “Para o mercado financeiro, o dado mantém a percepção de que o BC deve continuar atuando com cautela, mas segue apostando que o ciclo de queda de juros pode começar no início de 2026”, explica Spyer. “A mensagem principal é de vigilância: ainda há riscos relevantes no horizonte, especialmente vindos da inflação de serviços e das incertezas fiscais.” O economista Maykon Douglas, por sua vez, classifica o resultado do IPCA-15 de novembro como “benigno”, mostrando que “a inflação se aproxima da meta já em 2025, algo que o mercado nem cogitava havia algum tempo”. “No entanto, chama a atenção a piora na métrica de serviços intensivos em trabalho, que aceleraram pelo quarto mês seguido e voltaram ao patamar acima de 7%, algo que não ocorria desde março deste ano. É um sinal de que o mercado de trabalho aquecido continua a incomodar os preços mais sensíveis a ele. Mesmo com a moderação recente no emprego, o BC precisa continuar atento a isso, como tem feito”, aponta. “Os dados de inflação sugerem que, se o Copom não reduzir a taxa Selic em março de 2026 (minha projeção atual), é provável que o faça em janeiro, e não em abril”, concluiu o economista. 9 imagens Em outras palavras, se há  aumento da inflação, o dinheiro passa a valer menos. A principal consequência é a perda do poder de compra ao longo do tempo, com o aumento dos preços das mercadorias e a desvalorização da moedaExistem várias formas de medir a inflação, contudo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o mais comum delesNo Brasil, quem realiza a previsão da inflação e comunica a situação dela é o Banco Central. No entanto, para garantir a idoneidade das informações, a pesquisa dos preços de produtos, serviços e o cálculo é realizado pelo IBGE, que faz monitoramento nas principais regiões brasileirasDe uma forma geral, a inflação pode apresentar causas de curto a longo prazo, uma vez que tem variações cíclicas e que também pode ser determinada por consequências externasNo entanto, o que influencia diretamente a inflação é: o aumento da demanda; aumento ou pressão nos custos de produção (oferta e demanda); inércia inflacionária e expectativas de inflação; e aumento de emissão de moedaFechar modal. 1 de 9 Inflação é o termo da economia utilizado para indicar o aumento generalizado ou contínuo dos preços de produtos ou serviços. Com isso, a inflação representa o aumento do custo de vida e a consequente redução no poder de compra da moeda de um país KTSDESIGN/SCIENCE PHOTO LIBRARY / Getty Images 2 de 9 Em outras palavras, se há aumento da inflação, o dinheiro passa a valer menos. A principal consequência é a perda do poder de compra ao longo do tempo, com o aumento dos preços das mercadorias e a desvalorização da moeda Olga Shumytskaya/ Getty Images 3 de 9 Existem várias formas de medir a inflação, contudo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o mais comum deles Javier Ghersi/ Getty Images 4 de 9 No Brasil, quem realiza a previsão da inflação e comunica a situação dela é o Banco Central. No entanto, para garantir a idoneidade das informações, a pesquisa dos preços de produtos, serviços e o cálculo é realizado pelo IBGE, que faz monitoramento nas principais regiões brasileiras boonchai wedmakawand/ Getty Images 5 de 9 De uma forma geral, a inflação pode apresentar causas de curto a longo prazo, uma vez que tem variações cíclicas e que também pode ser determinada por consequências externas Eoneren/ Getty Images 6 de 9 No entanto, o que influencia diretamente a inflação é: o aumento da demanda; aumento ou pressão nos custos de produção (oferta e demanda); inércia inflacionária e expectativas de inflação; e aumento de emissão de moeda selimaksan/ Getty Images 7 de 9 No bolso do consumidor, a inflação é sentida de formas diferentes, já que ela não costuma agir de maneira uniforme e alguns serviços aumentam bem mais do que outros Adam Gault/ Getty Images 8 de 9 Isso pode ser explicado pela forma de consumo dos brasileiros. Famílias que possuem uma renda menor são afetadas, principalmente, por aumento no preço de transporte e alimento. Por outro lado, alterações nas áreas de educação e vestuário são mais sentidas por famílias mais ricas Javier Zayas Photography/ Getty Images 9 de 9 Ao contrário do que parece, a inflação não é de todo mal. Quando controlada, é sinal de que a economia está bem e crescendo da forma esperada. No Brasil, por exemplo, temos uma meta anual de inflação para garantir que os preços fiquem controlados. O que não pode deixar, na verdade, é chegar na hiperinflação - quando o controle de todos os preços é perdido coldsnowstormv/ Getty Images   IPCA-15 O IPCA é calculado desde 1979 pelo IBGE. O índice é considerado o termômetro oficial da inflação e é usado pelo Banco Central (BC) para ajustar a taxa básica de juros, a Selic, que hoje está em 15% ao ano. Ele mede a variação mensal dos preços na cesta de vários produtos e serviços, comparando-os com o mês anterior. A diferença entre os dois itens da equação representa a inflação do mês observado. O IPCA mensura dados nas cidades, de forma a englobar 90% das pessoas que vivem em áreas urbanas no país. O índice pesquisa preços de categorias como transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, comunicação, vestuário, artigos de residência, entre outros.
Por: Metrópoles

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