• Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

BC diz que nunca recomendou ao BRB a compra de carteiras fraudadas

Autoridade monetária nega que o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, tenha pedido a aquisição de carteiras do Master.

O BC (Banco Central) disse que o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, jamais recomendou a compra de carteiras fraudadas do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília). Eis a íntegra do comunicado (PDF – 78 kB).

A colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, publicou nesta 6ª feira (23.jan.2026) que o Banco Master teve ajuda extra na venda das carteiras de crédito consignado fraudadas para o BRB que levaram à prisão de Daniel Vorcaro. Ele foi solto em 29 de novembro.

Segundo a coluna, Aquino teria enviado mensagem para o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, pedindo que adquirisse os créditos para ajudar o Master a resolver seus problemas de liquidez.

As mensagens foram apresentadas aos conselheiros do BRB em reunião realizada em 25 de março de 2025, que também aprovou a oferta de compra de 58% das ações do Master por R$ 2 bilhões.

O Banco Central disse que a área de Supervisão da Autarquia foi responsável pela identificação de inconsistências nas operações e promoveu, “de imediato”, rigorosas investigações que levaram à demonstração da insubsistência dos ativos integrantes de tais carteiras.

“Foi igualmente da área chefiada pelo Diretor Ailton de Aquino a iniciativa de promover a comunicação dos ilícitos criminais ao Ministério Público Federal, acompanhada de documentação comprobatória e criteriosas análises técnicas”, disse o BC.

A autoridade monetária liquidou extrajudicialmente o Banco Master. Disse que aplicou medida prudencial para prevenir a prática de novas operações com impacto sobre a liquidez do BRB. Aquino teria tido a iniciativa de submeter o assunto à diretoria colegiada do Banco Central a proposta de liquidação das instituições do conglomerado Master “em razão, inclusive, dos ilícitos nelas perpetrados”.

E completou: “O diretor Ailton de Aquino afirma que, obviamente, jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas. O Banco Central tem a obrigação legal de acompanhar permanentemente as condições de liquidez, inclusive aquisições de ativos entre instituições financeiras, visando a assegurar a estabilidade do sistema financeiro nacional e resguardar os interesses dos depositantes, investidores e demais credores”.

A nota do BC diz ainda que a área de Supervisão do Banco Central monitora riscos e busca soluções rotineiramente para eventuais problemas de liquidez que venham a ser identificados em toda e qualquer instituição financeira.

O BC afirmou que compete a cada instituição financeira a exclusiva e integral responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos que adquire em mercado, devendo manter os procedimentos e controles internos necessários para o adequado gerenciamento dos riscos de seus negócios.

“O diretor Ailton de Aquino coloca à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal suas informações bancárias, fiscais e dos registros das conversas que realizou com o ex-Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, renunciando, para essa finalidade, ao sigilo sobre elas incidente”, disse o BC.

Por: Poder360

Artigos Relacionados: