• Terça-feira, 28 de abril de 2026

Inter aposta em inovação, escala e expansão global para redefinir o modelo bancário

João Vitor Menin, fundador e presidente do banco, fala sobre a trajetória do Inter do protagonismo digital ao mercado mundial

A trajetória do Inter é marcada por transformação constante. De uma financeira em Belo Horizonte a um banco digital e, hoje, uma plataforma global de serviços, a empresa construiu seu crescimento com base em inovação, escala e leitura de comportamento do cliente.

No Itatiaia Negócios Cast, o fundador e presidente João Vitor Menin detalha os movimentos estratégicos que levaram à criação do Super App, a decisão de expandir internacionalmente e a visão de risco como elemento central na tomada de decisão.

Ao longo da entrevista, ele também aborda liderança, cultura organizacional e os desafios de competir em um mercado cada vez mais tecnológico e globalizado.

Leia a entrevista completa

Leonardo Bortoletto: Olá, seja bem-vindo. Você está no Itatiaia Negócios Cast, ambiente da Itatiaia criado para desmistificar o mundo dos negócios e levar grandes histórias, grandes decisões e grandes nomes. Hoje aqui comigo, João Vitor Menin, fundador e presidente do Inter. João Vitor, prazer receber você aqui.

João Vitor Menin: Bortoletto, é um prazer enorme. Tenho certeza de que vamos ter um bate-papo muito legal.

Leonardo Bortoletto: Eu gostaria que você falasse sobre o DNA do banco. Nem todo mundo conhece a história do Inter. Conta para a gente como tudo começou e como esse DNA foi formado.

João Vitor Menin: Esse é um assunto que eu gosto muito, porque tem muito da minha personalidade. Inovação e evolução sempre fizeram parte da minha forma de pensar e isso se reflete na história do Inter. A antiga Intermedium Financeira começou em Belo Horizonte, em 1994. Eu entrei como estagiário em 2004, ainda cursando engenharia civil. Desde o início, sempre tive a inquietação de como melhorar, ampliar e levar serviços melhores para os clientes. Naquela época, ninguém imaginava o digital como temos hoje. Em 2008, viramos banco. Em 2015, passamos a ser apenas Inter, com uma marca mais moderna. Em 2018, abrimos capital. Em 2022, expandimos para o mundo e fomos para a Nasdaq. Em 2023, me mudei para os Estados Unidos. Essa trajetória mostra um movimento constante de inovação e questionamento do modelo tradicional.

Leonardo Bortoletto: Em que momento você percebeu que o Inter não era só um banco?

João Vitor Menin: Antes disso, houve uma percepção importante: a necessidade de ser um banco de varejo, com milhões de clientes. Isso veio após a crise de 2008. Eu vi grandes bancos de investimento enfrentando dificuldades e sendo socorridos por bancos com base ampla de clientes. Isso me marcou. Entendi que ter milhões de clientes, prestação de serviços e receitas recorrentes era fundamental. O desafio era competir com grandes bancos cheios de agências. A resposta veio em 2015, com o digital. Isso permitiu escalar. A partir daí, percebemos que, se já atendíamos milhões de clientes, poderíamos oferecer muito mais do que serviços bancários. Assim nasceu o conceito do Super App.

Leonardo Bortoletto: O que mudou na sua forma de pensar ao longo desse processo?

João Vitor Menin: Foi uma sequência de acontecimentos. À medida que nos expomos a novas realidades, passamos a enxergar novas oportunidades. É uma cadeia. Primeiro, a escala com o banco digital. Depois, o Super App. E agora, o global. Observamos o comportamento do cliente, as tendências e fomos evoluindo. Isso está diretamente ligado ao nosso espírito de inovação.

Leonardo Bortoletto: Como conciliar crescimento acelerado com gestão de risco?

João Vitor Menin: Risco é uma palavra fundamental. Muita gente tenta evitar risco, mas o correto é aprender a gerenciá-lo. A vida é feita de decisões e riscos o tempo todo. O importante é entender quais riscos valem a pena. No Inter, trabalhamos com essa lógica: tomar riscos calculados. Evitar risco demais pode fazer a empresa parar. O maior risco é não correr risco.

Leonardo Bortoletto: E na liderança, o que mais te exige hoje?

João Vitor Menin: Inovação. Estar em movimento constante. Quando alguém diz “sempre foi feito assim”, eu vejo uma oportunidade. O desafio é encontrar riscos que, se derem certo, tragam grande retorno e, se derem errado, tenham impacto limitado. Isso precisa sempre estar conectado ao cliente. No final, tudo precisa gerar valor para ele.

Leonardo Bortoletto: Tecnologia chega na presidência?

João Vitor Menin: Com certeza. Está na minha pauta e na do conselho. Mas eu faço uma distinção importante: tecnologia é meio, inovação é o fim. A tecnologia ajuda, mas o principal é pensar como melhorar a vida do cliente. E isso precisa estar presente em toda a empresa. Por isso, trabalhamos muito a cultura e o alinhamento interno com o capital humano.

Leonardo Bortoletto: Explica melhor o conceito de Super App.

João Vitor Menin: O Super App reúne vários serviços em um único aplicativo. A ideia é simplificar a vida do cliente. Em vez de usar vários aplicativos, ele resolve tudo em um só, com segurança e conveniência. Isso aumenta o uso e melhora a experiência. É um modelo de ganha-ganha: o cliente ganha em praticidade e o Inter em engajamento.

Leonardo Bortoletto: Já houve alguma decisão que parecia certa e depois se mostrou um erro?

João Vitor Menin: Errar faz parte. Mas eu não acredito em arrependimento. As decisões são tomadas com base nas informações disponíveis naquele momento. Depois fica fácil julgar. O importante é aprender e não travar por medo de errar.

Leonardo Bortoletto: E o futuro do Inter?

João Vitor Menin: O foco é entender o cliente. Hoje, ele precisa de soluções globais. Por isso criamos a Global Account. Já temos milhões de clientes usando. O objetivo é facilitar acesso a serviços financeiros internacionais de forma simples.

Leonardo Bortoletto: Vamos ao Raio X. Crescimento acelerado ou sustentável

João Vitor Menin: Sustentável.

Leonardo Bortoletto: Banco digital ou ecossistema?

João Vitor Menin: Ecossistema.

Leonardo Bortoletto: Brasil ou mundo?

João Vitor Menin: Mundo.

Leonardo Bortoletto: Pergunta de ouro: a conta global é para qualquer pessoa?

João Vitor Menin: Sim. Não é só para alta renda. Com poucos dólares já é possível investir e acessar produtos internacionais.

Leonardo Bortoletto: O que diferencia o Inter na prática?

João Vitor Menin: Simplificação. Mais produtos, mais acesso e tudo em um só lugar.

Leonardo Bortoletto: Pergunta do Flávio Guimarães, do BMG: é mais fácil empreender no Brasil ou nos Estados Unidos?

João Vitor Menin: Nos Estados Unidos é mais difícil, porque estamos fora do nosso ambiente. Mas isso é positivo, porque nos faz evoluir. É o conceito de antifragilidade, te faz crescer.

Leonardo Bortoletto: Dois conselhos finais.

João Vitor Menin: Primeiro, ter clareza sobre cultura e estratégia. Segundo, evitar a zona de conforto e buscar inovação constante.

Leonardo Bortoletto: João Vitor Menin, obrigado pela presença.

João Vitor Menin: Eu que agradeço. Foi um prazer.

Por: ITATIAIA

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