O Instituto Agronômico (IAC) de São Paulo fez dois novos lançamentos que prometem alavancar o setor sucroenergético. Durante a Agrishow 2026, o Programa Cana apresentou oficialmente as variedades IAC07-2361 e IAC09-6166, cultivares desenvolvidas para elevar o patamar de produtividade e resiliência do canavial brasileiro diante das incertezas climáticas e das oscilações do mercado global de combustíveis.
As novas variedades de cana-de-açúcar estão em exposição no plot do Instituto até o dia 1º de maio, em Ribeirão Preto, no mesmo espaço onde funciona a Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento de Cana. Além dos lançamentos, o IAC apresenta outras dez cultivares de destaque e tecnologias de manejo, como o Sistema de Mudas Pré-Brotadas (MPB) e a Tecnologia do Terceiro Eixo, essencial para mitigar os efeitos do déficit hídrico.
Em entrevista à Itatiaia, o líder do Programa Cana e coordenador do IAC, Marcos Guimarães de Andrade Landell, destalhou que um dos pontos centrais no desenvolvimento de novas variedades é o acúmulo de sacarose — o açúcar da cana que será transformado em combustível ou alimento. Landell explicou que cada variedade possui um comportamento distinto de maturação ao longo da safra:
* IAC09-6166 (A "polivalente"): Desenvolvida originalmente para a região de Assis (SP), surpreendeu os pesquisadores pela alta adaptabilidade. Segundo Landell, ela manteve uma performance excepcional desde o Norte do Paraná até Goiás e o Triângulo Mineiro. Sua grande vantagem é o Longo Período de Utilização Industrial (PUI). "Ela performa muito bem no início da safra, em abril e maio, mas mantém a competitividade até outubro. É algo raro uma variedade manter o desempenho por toda a extensão da safra", explicou o coordenador.
IAC09-6166 surpreendeu os pesquisadores pela alta adaptabilidade • Giullia Gurgel | Itatiaia
IAC07-2361 (A "super produtora"): Com foco inicial na região de Ribeirão Preto — considerada a principal área canavieira do mundo —, esta variedade se destaca pelo peso e potencial biológico. "Ela tem uma altíssima produção agrícola e um número de colmos fora do normal", afirmou Landell. Apesar do potencial de produção agrícola "fora do normal", Landell afirma que seu teor de açúcar é naturalmente mais restrito ao período que vai do meio para o final da safra.
"De abril até o final de julho, ela tem sacarose não muito alta, mas pode ser ajudada com o uso de produtos como maturadores. O manejo pode ser feito de tal maneira que você consiga colher a partir de junho", detalhou o coordenador, ressaltando que essa "plasticidade" facilita o planejamento das usinas.
IAC07-2361 se destaca pelo peso e potencial biológico • Giullia Gurgel | Itatiaia
A escolha da Agrishow para o lançamento não foi apenas geográfica, mas estratégica. Em um cenário de instabilidade no Oriente Médio e pressões sobre o preço do petróleo, o fortalecimento do etanol torna-se prioridade nacional. O IAC apresentou o conceito PP1 (Ponto de Partida 1), um conjunto de manejos para reduzir a exposição da planta à seca e elevar a produtividade do primeiro corte para níveis entre 130 e 160 toneladas por hectare.
A meta do Instituto é saltar da média atual de 6.600 litros de etanol por hectare para um patamar de 9.000 a 10.000 litros. "Isso reduziria o custo do etanol, tornando-o ainda mais competitivo frente à gasolina. Queremos abastecer não só frotas de carros, mas ônibus, navios e até aviões", projetou Landell.
Questionado sobre a ascensão do etanol de milho, Landell descartou qualquer rivalidade excludente. Para o pesquisador, as fontes são complementares e consolidam o Brasil como uma potência energética.
"O milho vem para somar. Com os avanços de produtividade que estamos buscando, a cana se tornará mais eficiente e competitiva, mantendo custos equiparados aos do milho, mas com uma entrega de etanol por hectare superior", concluiu.





