No coração do Oeste catarinense, um pequeno município chama atenção por um número impressionante: em Xavantina, há muito mais porcos do que moradores. Com aproximadamente 4 mil habitantes e uma produção estimada em cerca de 300 mil suínos, a cidade conquistou o título de Capital do Suíno e já foi reconhecida como a maior produtora per capita de suínos do Brasil.
O município transformou a suinocultura em uma das principais forças da economia local. A atividade está presente em praticamente todas as comunidades do interior e movimenta desde pequenos produtores até grandes integrações com agroindústrias da região.
Na prática, isso significa que Xavantina possui cerca de 75 suínos para cada morador. O número impressiona e ajuda a explicar por que a cidade se tornou referência estadual e nacional quando o assunto é produção animal.
A pecuária é uma das grandes bases econômicas do município. A criação de suínos acontece em diferentes modalidades, como as UPLs (Unidades Produtoras de Leitões), sistemas de parceria com empresas integradoras, terminações e propriedades de ciclo completo, nas quais o produtor acompanha o animal desde o nascimento até o abate.
Além da força na suinocultura, Xavantina também se destaca na bovinocultura leiteira. Conforme a Administração Municipal, o município é considerado um dos maiores produtores de leite de Santa Catarina proporcionalmente ao número de habitantes e à extensão territorial.
No campo, a agricultura também possui papel fundamental na economia local. Entre os principais produtos cultivados estão milho, feijão, trigo e fumo. A fruticultura também ganha espaço, especialmente com o cultivo de citrus, uva e pêssego.
A história de Xavantina começou por volta de 1920, quando famílias de descendência ítalo-brasileira, vindas do Rio Grande do Sul, chegaram à localidade que na época era conhecida como Anita Garibaldi.
Segundo registros históricos, as primeiras famílias a se estabelecerem na região foram Broetto, Balbinot, Criveletto, Zanandréa e Lecardelli. O desenvolvimento da comunidade foi diretamente impulsionado pela construção da estrada de ferro que ligava São Paulo ao Rio Grande do Sul.
A ferrovia facilitou o transporte, incentivou o comércio e contribuiu para o crescimento do povoamento. Outro fator importante foi a abundância de madeira existente na região, especialmente o pinheiro brasileiro, além da qualidade do solo, considerada favorável para agricultura e formação de pastagens.
Com o passar dos anos, a colonização foi avançando para o interior e novas comunidades começaram a surgir, fortalecendo a agricultura familiar e a pecuária.
Xavantina foi criada inicialmente como distrito de Seara, por meio da Lei Municipal nº 29, de 23 de agosto de 1956. Alguns anos depois, em 13 de dezembro de 1963, o município foi oficialmente emancipado através da Lei Estadual nº 945.
A instalação oficial ocorreu em 2 de fevereiro de 1964, quando Octávio Urbano Simon foi nomeado como primeiro prefeito da cidade.
Na mesma época também foi criado o distrito de Linha das Palmeiras, anexado ao município por meio da Lei Estadual nº 946.
O nome Xavantina possui duas versões conhecidas para sua origem. A primeira faz referência às indiazinhas pertencentes às tribos indígenas Xavantes. Já a segunda versão aponta que o nome teria sido escolhido em homenagem a um colonizador conhecido como senhor Possan, proprietário de terras em Nova Xavantina, no Mato Grosso.
Ao longo das décadas, Xavantina consolidou sua imagem ligada ao agronegócio, especialmente à produção de suínos. O município se tornou símbolo da força da agricultura familiar e da capacidade produtiva do Oeste catarinense.
Mesmo sendo uma cidade pequena em população, os números da produção agropecuária colocam Xavantina entre os municípios que mais se destacam proporcionalmente no país.





