• Terça-feira, 28 de abril de 2026

Da obra ao campo: máquinas de linha amarela consolidam protagonismo na Agrishow 2026

Maior feira de tecnologia agrícola da América Latina é realizada em Ribeirão Preto (SP) até sexta-feira (1º)

Historicamente associadas à construção civil, as máquinas da "linha amarela" assumiram um novo papel estratégico no agronegócio brasileiro. Equipamentos como carregadeiras, escavadeiras e tratores de esteiras deixaram de ser coadjuvantes para se tornarem essenciais na rotina das propriedades rurais. Na 31ª Agrishow, essa tendência é impulsionada pela necessidade de profissionalização e pela busca por autonomia operacional no campo.

Dados da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema) indicam que o setor agrícola foi um destino prioritário das 34,5 mil máquinas comercializadas em 2025. Esse crescimento reflete uma integração estrutural: o produtor rural passou a utilizar ferramentas de infraestrutura para otimizar o manejo do solo, sistemas de irrigação e a logística interna. De acordo com a Câmara Setorial de Máquinas Rodoviárias (CSMR) da ABIMAQ, essa versatilidade é fundamental para garantir a competitividade e sustentabilidade do setor.

O destaque desta edição é o avanço na matriz energética para máquinas pesadas. A CASE Construction Equipment apresentou um conceito inédito de pá carregadeira movida a etanol. Desenvolvida a partir da plataforma 721E, a máquina foi projetada para transformar a matriz de custos, especialmente no setor sucroalcooleiro.

Atualmente, o diesel representa entre 20% e 30% dos gastos operacionais de uma usina. Ao utilizar o etanol — combustível produzido pela própria unidade — o produtor elimina a dependência logística de transporte e armazenamento de combustível fóssil.

Anderson Nascimento, gerente de marketing de produto da CNH, enfatiza que a integração entre construção e agro já é uma realidade consolidada na companhia. Atualmente, 16% das vendas de linha amarela da marca são destinadas diretamente ao mercado agrícola, o que justifica o investimento em soluções específicas para este público.

“É notória, já de prática comum no Brasil, a compra de máquinas da linha amarela pelo setor agro. No nosso caso, a marca traz esses componentes e soluções para atender esse cliente, porque identificamos que a usina tem o combustível na mão. Quando você elimina o processo logístico e utiliza uma solução que é da nossa indústria, com conhecimento brasileiro, o ganho é absurdo”, explicou Nascimento à Itatiaia.

O executivo ainda reforçou que a inovação vai além da economia imediata, tratando-se de uma resposta aos desafios globais, como a Crise no Oriente Médio, e à volatilidade do mercado de combustíveis fósseis.

“A vantagem de ter uma máquina como essa é evidente, mas todo esse cenário que estamos vivendo ultimamente mostra que é necessário rediscutir as fontes alternativas para não termos toda essa dependência. Não podemos simplesmente manter soluções antigas; precisamos de inovações que melhorem o ecossistema e, no nosso caso, o etanol é o caminho natural”, pontuou o gerente.

Para além dos conceitos energéticos, a Agrishow 2026 funciona como uma vitrine de como toda a indústria de máquinas pesadas está customizando seus portfólios para o produtor rural. Diferente dos modelos padrão de canteiro de obras, as máquinas expostas por diversas fabricantes na feira trazem adaptações específicas para a realidade do campo.

Para ampliar o papel da linha amarela na eficiência do sistema produtivo como um todo, a feira, além das máquinas, apresenta um ecossistema completo de soluções, como movimentação de carga, apoio logístico e manutenção de áreas produtivas. Destacam-se equipamentos mais versáteis e inteligentes, capazes de atuar desde a construção de silos e sistemas de irrigação até o manejo diário da propriedade, integrando tecnologias de monitoramento e gestão. “Mais do que uma exposição, a Agrishow assume uma função estratégica para reduzir custos operacionais, otimizar processos e dar mais ritmo às atividades no campo”, afirmou presidente da Agrishow, João Marchesan.

Por: ITATIAIA

Artigos Relacionados: