• Terça-feira, 28 de abril de 2026

Dependência de fertilizantes do exterior é ponto de atenção para o agro brasileiro

País importa mais de 80% dos insumos e enfrenta desafios para desenvolver produção nacional diante de custos elevados e entraves estruturais

O Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que consome, o que o torna altamente vulnerável a riscos geopolíticos e às oscilações cambiais. Essa dependência expõe a fragilidade da produção agropecuária nacional, especialmente em cenários de crise internacional, como guerras, que tendem a elevar os custos dos insumos.

O professor Marcelo Brito, diretor acadêmico da FDC Agroambiental, avalia que esse quadro está longe de mudar. Segundo ele, a dependência externa está diretamente ligada ao chamado custo Brasil e à demora na formulação de políticas estruturais.

“O país levou cerca de 15 anos para lançar o Plano Nacional de Fertilizantes, inicialmente previsto para 2010 e implementado apenas em 2025. Mesmo após o lançamento, temos observado o fechamento de unidades produtivas. Entre 2024 e 2025, quatro plantas foram desativadas em Cubatão, o que representa um impacto significativo para o agronegócio”, afirma.

Atualmente, o Brasil conta com ao menos seis projetos, entre iniciativas públicas e privadas, voltados à redução dessa dependência. Para Guilherme Rios, assessor de política agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), é fundamental que as ações tenham caráter de longo prazo.

“Não se trata de uma política de governo, mas de Estado. O desenvolvimento dessa indústria exige tempo e precisa começar imediatamente. Também é necessário considerar as questões ambientais envolvidas na exploração desses recursos”, explica.

Rios destaca ainda que o avanço do setor depende de financiamento específico. “Não é um problema que será resolvido na safra 2026/2027. Trata-se de uma indústria que demanda anos de construção. Para isso, é essencial garantir crédito voltado ao seu desenvolvimento, com participação do governo no fomento dessas atividades”, diz.

Segundo o assessor, as crises internacionais continuam impactando diretamente o campo.

“A safra 2026/2027, que começa em julho, traz diversos desafios para o produtor. As margens estão apertadas, há aumento nos custos de insumos, como fertilizantes e diesel, além da alta nos preços de máquinas e equipamentos. Soma-se a isso uma taxa Selic de 14,75%, o que influencia diretamente as decisões no campo”, ressalta.

O aumento dos custos é sentido na prática por produtores rurais. Maria Vitalina Soares, produtora de banana em Jaíba, no norte de Minas Gerais, relata as dificuldades.

“Os custos estão altos e o preço de venda não acompanha, principalmente neste período de maior produção. Com o diesel mais caro, o preço final da fruta fica ainda mais pressionado”, afirma.

Por: ITATIAIA

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