Melhores salários
Dados da Secretaria Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados, vinculada ao Ministério das Mulheres, contabilizam que as diferenças salariais entre homens e mulheres nas empresas certificadas são menores. Enquanto a média nacional é de 20,9%, o índice cai para 15,43% nas empresas agraciadas pelo do programa. Melhorar salários de mulheres e de pessoas negras é um dos propósitos do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, assinala Joana Passos, responsável pela secretaria.Além de salários melhores e mais equilibrados, a certificação também valoriza políticas de progressão na carreira, formação e capacitação que incluam mulheres e pessoas negras.“A ideia é incentivar as empresas para que, ao proporcionar condições de trabalho e condições salariais adequadas, possam assegurar a presença das mulheres e das pessoas negras no ambiente de trabalho”, disse à Agência Brasil.
Rentabilidade
O programa é coordenado pelo Ministério das Mulheres, em parceria com o Ministério da Igualdade Racial, o Ministério do Trabalho e Emprego, a ONU Mulheres e a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Para os representantes dessas organizações, implantar políticas de equidade de gênero e raça geram dividendos às empresas. “Em um ambiente onde há igualdade racial e de gênero, todos os talentos, vivências e capacidades são respeitadas e valorizadas. Melhora a qualidade de vida das pessoas, gera bons negócios e aumenta a produtividade das empresas”, observa a ministra da Igualdade Racial do Brasil, Rachel Barros. O diretor do Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para o Brasil, Vinícius Carvalho Pinheiro, tem ponto de vista semelhante:“Economias mais inclusivas são economias mais fortes”, completa Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres Brasil. Segundo ela, “organizações mais diversas tomam melhores decisões, ambientes de trabalho mais seguros e igualitários regem talentos, geram inovação e produzem desenvolvimento sustentável.”“A igualdade de gênero e de raça não é apenas uma agenda de justiça social, mas é também agenda de desenvolvimento e de produtividade. As empresas que hoje mostram condições de igualdade têm maior competitividade.”
Cuidado familiar
Gallianne Palayret lembra que além do trabalho nas empresas, as mulheres são as principais responsáveis pelas atividades domésticas e de assistência à toda a família. “A mulher continua trabalhando em casa, no cuidado das crianças, das pessoas idosas, das pessoas doentes. Um trabalho essencial, mas ainda pouco reconhecido, pouco valorizado e desigualmente distribuído. Essa realidade não é natural foi construída historicamente. E justamente por isso, pode e deve ser transformada.” O chefe do escritório da OIT, Vinicius Pinheiro, concorda com a ponderação e por isso defende que em futuras edições do Programa Pró-Equidade a questão do cuidado familiar passe a ser um dos critérios para avaliação das empresas. “Sabemos que a desigualdade de gênero no trabalho começa em casa. Inicia com a chamada pobreza do tempo: as mulheres dedicam em média 21 horas de trabalho a mais que os homens para as tarefas domésticas e tarefas de cuidado”, calcula.EBC é premiada
Presidenta da EBC, Antonia Pellegrino (centro), na cerimônia de entrega do Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça - Valter Campanato/Agência Brasil
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) foi, pela terceira vez, reconhecida com o Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça. Para a presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, "a EBC entende que a diversidade e a equidade de gênero e raça são um horizonte.” Na sua percepção, a entrega do selo é “um reconhecimento do conjunto de ações que foram efetivas.” Conforme relatório apresentado pela EBC ao Ministério das Mulheres para obter a certificação, a empresa realizou o recadastramento corporativo com recortes de gênero e raça para conhecer a composição do corpo funcional; implementou ações afirmativas em processos seletivos; e adotou medidas “voltadas ao cuidado e ao bem-estar no ambiente de trabalho, como a estruturação de salas de apoio à amamentação e campanhas institucionais de promoção da saúde”, entre outras iniciativas. A radialista Mara Régia, coordenadora do Comitê de Pró-Equidade de Gênero e Raça da EBC (Proeq), sublinha que o reconhecimento por três vezes “não é coincidência. É fruto de muita luta.” “Todo momento é preciso estar atento e forte, porque os retrocessos estão aí. O dia de hoje sela, mais uma vez, o compromisso da nossa empresa com ações pela equidade, com o fim do feminicídio e acima de tudo o fim do assédio.” Relacionadas
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