Por que as fazendas nos EUA sobrevivem por 6 gerações e as brasileiras travam na 1ª?
Método, gestão e preparo explicam por que famílias rurais dos EUA preservam seus legados por mais de um século
Método, gestão e preparo explicam por que famílias rurais dos EUA preservam seus legados por mais de um século “Meu filho quer ir pra cidade, não quer saber de gado.” A frase se repete nos corredores de feiras agropecuárias, nas conversas de curral e nas mesas de domingo pelo interior do Brasil. Muitos produtores vivem esse dilema: trabalhar uma vida inteira para ver o filho trocar o campo pelo asfalto. Conteúdo feito com base nas informações do Beef Point. Enquanto isso, nos Estados Unidos, histórias como a da Família Campbell, no Texas, se multiplicam. Há 170 anos na pecuária (desde 1854), a fazenda já está na 5ª geração. O patriarca só entregou o bastão ao filho aos 94 anos de idade, e os descendentes continuam tocando o negócio com disciplina e visão de futuro. A diferença não está na sorte. Está no método.
O peso da sucessão no agronegócio A sucessão é decisiva para a sobrevivência do agro. Segundo a FAO, mais de 96% das fazendas nos EUA são familiares e grande parte ultrapassa um século de existência. No Brasil, porém, menos de 30% chegam à segunda geração. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Isso significa que, a cada fazenda vendida ou fragmentada, não se perde apenas um patrimônio: perde-se uma história, uma rede de empregos e, muitas vezes, a competitividade da produção. Como eles formam sucessores nos EUA O segredo das famílias americanas está na formação estruturada dos herdeiros. O jovem que cresce na fazenda passa por um roteiro quase padrão:
Trabalha desde cedo no campo, muitas vezes a partir dos 8 anos.
Faz faculdade em áreas como Agronegócios ou Administração Rural.
Passa 2 a 3 anos em outras empresas, adquirindo visão de mercado.
Volta para a fazenda com novas ideias, gestão profissional e sede de inovar.
O resultado é um sucessor que quer ficar, não alguém que se sente obrigado a continuar. Organização que garante longevidade Outro pilar é a governança familiar. As famílias americanas de sucesso trabalham com:
Contratos de sucessão assinados, claros sobre lucros, responsabilidades e papéis.
Planos de transição de longo prazo (10 anos ou mais).
Reuniões familiares mensais, tratando a fazenda como empresa.
Enquanto isso, no Brasil, o que se ouve é: “Depois a gente resolve isso aí…”. Resultado: brigas judiciais, fragmentação das terras e fim do negócio.
Cases que funcionam Família Brown – Texas (R.A. Brown Ranch)
Fundada no início do século XX, em 1903, a fazenda foi transferida para Throckmorton, Texas.
R.A. “Rob” Brown assumiu a gestão muito cedo, aos 29 anos, após a morte inesperada do pai em 1965.
Rob e sua esposa, Peggy, transformaram a fazenda em uma das operações pecuárias mais diversificadas do Texas, com foco em genética bovina de ponta.
Mas o grande diferencial foi a filosofia de formar sucessores desde cedo:
Cada filho (Betsy, Rob A., Marianne e Donnell) recebeu vacas por volta dos 9 anos de idade.
Com esses animais, eram responsáveis por gerir, multiplicar e comercializar seu rebanho.
O dinheiro obtido era usado para pagar seus próprios estudos universitários.
Todos os quatro filhos foram para a faculdade, com a regra clara: deveriam trabalhar, ganhar, economizar e investir com sabedoria.
Esse método criou adultos preparados para gerir patrimônio, com espírito empreendedor e disciplina financeira. Além disso, Rob transmitiu valores que guiavam a família: ser “progressivo, mas prático”, “abraçar a ciência sem abandonar a tradição” e, sobretudo, manter a fé, a esperança e o amor como fundamentos da união familiar. Hoje, a R.A. Brown Ranch está na 5ª geração, sendo referência em sucessão, genética bovina e governança rural.
Por que as fazendas travam na 1ª geração no Brasil? No Brasil, a realidade é diferente e dolorosa. Entre os fatores mais críticos estão:
Fragmentação da herança
O modelo de partilha divide as propriedades em pequenas glebas, muitas vezes inviáveis para manter a escala da produção.
Gestão centralizada
O fundador concentra todas as decisões e raramente prepara sucessores. Quando morre, deixa um vácuo de liderança.
Tabu sobre sucessão
Falar em herança ainda é visto como desrespeitoso, como se planejar fosse “chamar a morte”. Resultado: a sucessão é adiada até que seja tarde demais.
Burocracia e tributação
Transferir patrimônio no Brasil é caro, complexo e muitas vezes litigioso, desestimulando o planejamento antecipado.
Falta de governança
Raramente se veem estatutos familiares, contratos claros ou reuniões de alinhamento. O improviso prevalece, e conflitos explodem no pior momento.
O que você pode fazer hoje para mudar essa realidade Se há um aprendizado dos americanos é que sucessão não começa na aposentadoria, começa agora. Produtores que querem ver suas fazendas prosperarem por gerações podem adotar medidas práticas:
Incluir os filhos nas decisões desde cedo, até mesmo nas escolhas pequenas do dia a dia.
Ensinar gestão, não apenas manejo, mostrando que a fazenda é um negócio.
Documentar tudo: contratos, regras de divisão de lucros, processos internos.
Construir governança familiar, com reuniões regulares e plano de transição claro.
Avaliar modelos jurídicos modernos, como holdings familiares e acordos de sócios, que evitam fragmentação e reduzem conflitos.
Incentivar estudo e experiência fora da fazenda, para que o herdeiro volte com bagagem de mercado.
Sua fazenda vai morrer com você? A pergunta é dura, mas necessária: sua fazenda será vendida na partilha ou transformada em um império familiar que atravessará gerações? Nos EUA, a resposta está consolidada há mais de um século: sucessão é método, gestão e preparo. No Brasil, a escolha está nas mãos de cada produtor.
Escrito por Compre Rural com base nas informações do Beef Point. VEJA MAIS: