Conheça Romeu Kiihl, o responsável por fazer do Brasil o maior produtor de soja do mundo
O que antes era visto como impossível, produzir soja em terras ácidas e pobres, tornou-se a maior história de sucesso da agricultura tropical no mundo
O que antes era visto como impossível, produzir soja em terras ácidas e pobres, tornou-se a maior história de sucesso da agricultura tropical no mundo Na safra 2024/2025, o Brasil colheu 168,3 milhões de toneladas de soja, consolidando-se como o maior produtor e exportador mundial da oleaginosa. O grão é hoje o motor do agronegócio brasileiro, liderando tanto em volume quanto em receitas de exportação. Mas essa abundância nem sempre foi realidade. Nos anos 1960, quando o jovem engenheiro agrônomo Romeu Afonso de Souza Kiihl iniciava suas pesquisas, a produção nacional de soja era inexpressiva. Acreditava-se que o Cerrado brasileiro, com seus solos ácidos e pobres em nutrientes, jamais poderia se tornar o coração agrícola do país. Foi Romeu Kiihl quem ousou desafiar essa ideia. Hoje, aos 83 anos, ele é lembrado como o “pai da soja tropical”, o cientista que ajudou a transformar terras consideradas improdutivas em celeiro mundial.
O desafio: produzir soja no Cerrado Naquele período, os Estados Unidos dominavam o mercado global e o Brasil dependia da importação. O Cerrado era visto como um obstáculo insuperável: clima quente, solos de baixa fertilidade e falta de tecnologias adaptadas. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Enquanto especialistas estrangeiros desacreditavam, Kiihl enxergava potencial. Seu objetivo era claro: criar variedades de soja adaptadas às condições tropicais brasileiras. Romeu Kiihl: trajetória de um visionário Nascido em Caconde (SP), em 1942, filho de um alfaiate, Romeu ingressou na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP/Esalq), formando-se em 1965. Em seguida, partiu para os Estados Unidos, onde concluiu mestrado (1966-1968) e doutorado (1974-1976) em Melhoramento Vegetal e Agronomia na Mississippi State University, sob orientação do renomado Edgar Emerson Hartwig. De volta ao Brasil, atuou no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e, por mais de 25 anos, foi pesquisador da Embrapa Soja, em Londrina. Foto: DivulgaçãoA ciência que mudou a agricultura brasileira Kiihl dedicou sua carreira ao melhoramento genético da soja. O resultado foi impressionante:
Desenvolvimento de mais de 150 variedades de soja, adaptadas a diferentes regiões do país.
Ênfase no Cerrado, onde o cultivo se consolidou e expandiu.
Contribuição decisiva para a fixação biológica de nitrogênio (FBN), tecnologia que reduziu custos e aumentou a sustentabilidade da produção.
Essas inovações elevaram a produtividade nacional e abriram caminho para a expansão em larga escala. Da soja experimental dos anos 1960 ao recorde histórico de 2025, o Brasil deu um salto extraordinário. Do experimento à revolução agrícola Graças ao trabalho de Kiihl e de outros pesquisadores da Embrapa, o Cerrado tornou-se o grande palco da agricultura tropical.
Hoje, mais de 60% da soja brasileira é cultivada nessa região.
A oleaginosa transformou economias locais, deu origem a cidades agrícolas e fortaleceu cooperativas.
Em 2025, o Brasil ultrapassou os EUA com folga, consolidando sua liderança mundial em soja.
A soja também impulsionou a integração lavoura-pecuária, alimentando animais, produzindo farelo e óleo, e abrindo espaço para biocombustíveis. Reconhecimento e legado Pelo impacto de sua obra, Romeu Kiihl recebeu diversas honrarias:
Comendador e Grande Oficial da Ordem Nacional do Mérito Científico.
Eleito Agrônomo do Ano (2012) pela Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo.
Listado pela revista Veja entre os “50 brasileiros que mudaram a regra do jogo”.
Hoje, é diretor científico da Tropical Melhoramento & Genética (TMG), em Londrina, e continua atuando como melhorista de germoplasma. Sua filha, Tammy Aparecida Manabe Kiihl, também seguiu seus passos como engenheira-agrônoma e melhorista, mantendo viva a herança científica da família. O grão que virou poder global A história de Romeu Kiihl prova que ciência, inovação e persistência podem transformar não apenas uma lavoura, mas um país inteiro. O que antes era visto como inviável se tornou a maior força do agronegócio brasileiro. Se hoje o Brasil lidera a produção e exportação mundial de soja, é porque pioneiros como Kiihl acreditaram no impossível e construíram o futuro. VEJA MAIS:
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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Por: Redação
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