O mistério do Nelore: por que ele reina no Brasil e não nos pecuaristas vizinhos?O diferencial do zebu está em suas características naturais. Com patas mais compridas, metabolismo mais lento e pelagem clara, a raça aproveita melhor as pastagens tropicais e suporta temperaturas elevadas. Seus cílios longos protegem contra poeira e sol intenso, enquanto a corcunda característica acumula gordura, fornecendo energia em períodos de escassez. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Essas vantagens biológicas tornaram a raça ideal para os ambientes quentes e desafiadores do Brasil, garantindo taxas de reprodução mais altas e maior resistência a pragas e doenças em comparação ao gado europeu. Se no passado o zebu foi a solução para expandir a pecuária nos trópicos, hoje é também um ativo econômico valioso. A genética de touros e vacas de elite é comercializada por valores milionários, tornando-se um dos segmentos mais rentáveis do setor. Um único reprodutor pode gerar centenas de milhares de descendentes, multiplicando suas características superiores por todo o rebanho nacional. Esse trabalho de melhoramento genético resultou em animais mais precoces, com maior ganho de peso e melhor rendimento de carcaça, aumentando a competitividade da carne brasileira no mercado internacional. O Brasil se tornou o maior fornecedor global de carne bovina graças ao zebu. Em 2024, foram embarcadas 2,9 milhões de toneladas, volume sustentado pelo baixo custo de produção proporcionado pelo modelo de pecuária extensiva em pasto. O sistema de criação baseado em pastagens, aliado à rusticidade da raça, garante um custo inferior ao de outros países produtores, como os Estados Unidos. Esse diferencial permite ao Brasil atender à crescente demanda mundial, especialmente da China, principal compradora da carne brasileira. Com o avanço do aquecimento global, a genética zebuína tende a se tornar ainda mais importante. Raças resistentes ao calor e a ambientes adversos podem ser decisivas para a pecuária em diferentes partes do mundo. Muitos países já enxergam no zebu uma alternativa para manter a produção de carne em cenários de clima extremo. O Brasil, que transformou o zebu em sua base pecuária, exporta não apenas carne, mas também genética e tecnologia capazes de influenciar a produção global. O zebu é muito mais que um símbolo do campo brasileiro: é a raça que permitiu a expansão da pecuária, garantiu a liderança do Brasil nas exportações e ainda pode se tornar a chave para enfrentar os desafios climáticos da produção de carne no futuro. As chamadas supervacas tropicais são hoje a expressão máxima da capacidade de adaptação e da força da pecuária nacional, projetando o Brasil como referência mundial na criação bovina.
Zebu, a raça que transformou o Brasil no maior exportador de carne do planeta
Resistência ao clima tropical, genética milionária e papel decisivo nas exportações fizeram do zebu a base da pecuária brasileira.
Resistência ao clima tropical, genética milionária e papel decisivo nas exportações fizeram do zebu a base da pecuária brasileira. O zebu é considerado a grande engrenagem da pecuária nacional. Adaptado às condições tropicais, o gado de origem indiana revolucionou o campo brasileiro ao oferecer resistência, rusticidade e produtividade sem precedentes. Atualmente, o Brasil soma mais de 225 milhões de cabeças de gado, sendo a maioria descendente do zebu, e se consolidou como o maior exportador mundial de carne bovina. Essa transformação não foi imediata. Até o século 19, a produção dependia de raças ibéricas, conhecidas como gado crioulo, pouco adaptadas ao calor e às doenças das regiões tropicais. A introdução dos primeiros zebuínos no país no final do século 19 marcou o início de uma verdadeira revolução genética. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp
Por: Redação