Perfil da dívida
O levantamento revela que o cartão de crédito é a forma de endividamento mais presente no endividamento das famílias:- Cartão de crédito: 85,4%
- Carnês: 15,9%
- Crédito pessoal: 12,2%
- Financiamento de casa: 9,6%
- Financiamento de carro: 8,7%
- Crédito consignado: 6%
- Cheque especial: 3,4%
- Outras dívidas: 2,5%
- Cheque pré-datado: 0,3%
Dívidas atrasadas
A pesquisa identificou que a inadimplência em janeiro ficou em 29,3%, marcando o terceiro mês seguido de recuo, ou seja, cai desde outubro, quando estava em 30,5%. A parcela de famílias com conta atrasada é maior à medida que diminui o rendimento domiciliar. Nos lares com renda de até três salários mínimos, o percentual é 38,9%. Já entre consumidores que recebem mais de dez mínimos, fica em 14,9%. A pesquisa apurou que o tempo médio de pagamento em atraso ficou em 64,8 dias em janeiro. A CNC identificou ainda que 12,7% das famílias disseram que não terão condições de pagar dívidas atrasadas.Juros altos
De acordo com a CNC, os juros altos dificultam a amortização das dívidas e tornam o orçamento cada vez mais apertado. A taxa básica de juros da economia, a Selic, está em 15% ao ano, maior patamar desde julho de 2006 (15,25%). O percentual é determinado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) e influencia as demais taxas praticadas no mercado, como os juros ao consumidor. A Selic está mantida em nível elevado como ferramenta de combate à inflação. O índice oficial de inflação (IPCA) chegou a ficar 13 meses fora do teto da meta do governo (4,5% ao ano), voltando para o intervalo de tolerância em novembro de 2025. A Selic alta age na economia de forma restritiva, ou seja, encarece operações de crédito e desestimula investimentos e consumo. O impacto esperado é menor procura por produtos e serviços, esfriando a inflação. O efeito colateral é que economia em marcha lenta tende a diminuir a geração de empregos.Projeção
A CNC projeta que o endividamento das famílias deve seguir em alta, ao menos no primeiro semestre, chegando a 80,4% em junho. Para a inadimplência, a estimativa é redução até encostar em 28,9% em junho. De acordo com o economista-chefe da CNC, um dos motivos para a regressão é queda da taxa Selic, já indicada pelo Banco Central a partir de março. “A gente vem em um patamar [de juros] muito elevado, então vai levar um certo tempo para que esse desaperto monetário seja sentido também no mercado de crédito”, avalia. “Começando em março, provavelmente no início do terceiro trimestre, final do segundo trimestre, as famílias já devem se deparar com uma taxa de juros significativamente menor”, completa. Relacionadas
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