O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta 6ª feira (6.fev.2026) que houve um “estupro das contas públicas” na transição do governo Bolsonaro para o governo Lula. Ele deu a declaração durante o evento de 46 anos do PT, que está sendo realizado em Salvador (BA).
“O que aconteceu de 2022 para 2023 é uma espécie de estupro das contas públicas. Uma coisa alucinada que aconteceu”, disse Haddad ao criticar a gestão fiscal do governo anterior. Afirmou que houve o que chamou de maquiagem contábil: “Foi a mais ardilosa já vista na história do Brasil”. Segundo ele, Bolsonaro criou um superavit artificial em 2022, ano eleitoral, para depois entregar um orçamento deficitário para 2023.
O governo Bolsonaro encerrou 2022 com superavit primário de R$ 54,1 bilhões. Foi o 1º resultado positivo em 9 anos. O governo Lula fechou 2023 com um deficit de R$ 230 bilhões, sendo R$ 92,4 bilhões destinados ao pagamento de precatórios não quitados em anos anteriores.
Haddad tem argumentado que cerca de metade do deficit de 2023 corresponde a pagamentos atrasados deixados pelo governo anterior, incluindo precatórios e compensações aos estados pela redução do ICMS sobre combustíveis.
O ministro disse que o orçamento de 2023, elaborado ainda pelo governo Bolsonaro, já estimava um deficit de R$ 63 bilhões. “O governo Bolsonaro tinha feito superavit em 2022, [mas] entrega uma peça orçamentária pra 2023, antes da eleição, já colocando R$ 63 bilhões de deficit”, afirmou.
Assista ao evento com Haddad (3h6min):
Haddad também criticou o arrocho promovido pelo governo anterior.
“Em 2022, depois de 7 anos de arrocho do funcionalismo, do salário mínimo, da tabela do Imposto de Renda, dos programas sociais, do desmonte da Farmácia Popular, do Minha Casa Minha Vida”, foi criado um superavit artificial.
O ministro disse que o governo Lula herdou um deficit de 1,6% do PIB, fora outras despesas não contabilizadas. “Você tem um deficit herdado do governo anterior de 1,6% do PIB. Fora tudo. Fora tudo o resto”, disse, referindo-se a compensações aos governadores e diferenças de precatórios.





