A Stellantis registrou encargos de 22,2 bilhões de euros (US$ 26,5 bilhões) e diminuiu suas metas para veículos elétricos. Segundo informações divulgadas pela agência de notícias Reuters nesta 6ª feira (6.fev.2026), as ações da montadora caíram até 25% na bolsa de Milão, atingindo o menor valor desde a formação da empresa no começo de 2021.
Os encargos serão contabilizados nos resultados do 2º semestre de 2025. A decisão está ligada ao ajuste dos planos de produtos às preferências dos consumidores e às novas regras de emissões nos EUA, considerando a redução nas expectativas para veículos elétricos.
A alteração na estratégia foi feita quando diversas montadoras ocidentais abandonaram modelos movidos a bateria. Esse movimento resulta tanto das políticas do governo de Donald Trump (Partido Republicano), que reduziu subsídios e desvalorizou tecnologias verdes, quanto da demanda menor que o esperado por veículos elétricos, principalmente no mercado norte-americano.
A Stellantis apresentará seu novo plano de negócios em maio de 2026. A empresa segue caminho similar ao de concorrentes como Ford e GM, que também anunciaram baixas contábeis, porém em valores menores.
O grupo ítalo-franco-americano, controlador de marcas como Fiat, Jeep e Alfa Romeo, enfrenta problemas parecidos com os de outras montadoras tradicionais. A empresa teve queda nas vendas na Europa e no mercado norte-americano, anteriormente um importante gerador de lucros para o grupo. As ações da Stellantis listadas na bolsa de Milão sofreram forte impacto com o anúncio. A empresa mantém operações importantes nos EUA, onde a adoção de veículos elétricos tem sido mais lenta que o inicialmente previsto.
Os encargos de 22,2 bilhões de euros anunciados também incluirão o redimensionamento da cadeia de suprimentos de VE da empresa e mudanças nas estimativas para provisões de garantia contratual por causa da qualidade insuficiente do produto, além de cobranças pelos cortes de empregos já anunciados na Europa. As baixas contábeis incluem pagamentos em dinheiro de aproximadamente 6,5 bilhões de euros, que serão distribuídos ao longo de quatro anos a partir de 2026.
A empresa estima um prejuízo líquido de 19 bilhões a 21 bilhões de euros no 2º semestre do ano fiscal de 2025 e não pagará dividendos este ano. Projeta uma queima de caixa industrial de 1,4 a 1,6 bilhão de euros no 2º semestre e planeja emitir até 5 bilhões de euros em títulos híbridos perpétuos subordinados não conversíveis.
Para 2026, a previsão é de um aumento de um dígito médio na receita líquida e uma margem de lucro operacional ajustada de um dígito baixo, com expectativa de fluxos de caixa livre industriais positivos apenas em 2027.
Como parte da nova estratégia, a Stellantis concordou em vender sua participação de 49% em uma joint venture de baterias no Canadá para a parceira sul-coreana LG Energy Solution. A empresa divulgará os resultados finais do 2º semestre e do ano completo de 2025 em 26 de fevereiro.
“A empresa tomou a grande maioria das decisões necessárias para corrigir o rumo, principalmente no que diz respeito ao alinhamento de nossos planos de produtos e portfólio com a demanda do mercado”, afirmou a Stellantis em comunicado. A própria Stellantis afirmou que “Essas ações contribuirão para a preservação de um balanço patrimonial sólido, com aproximadamente 46 bilhões de euros em liquidez industrial disponível no final do ano”.





