• Quarta-feira, 29 de abril de 2026

Mudanças climáticas elevam riscos e exigem adaptação no campo

Secas, chuvas intensas e altas temperaturas geram perdas, elevam riscos e pressionam os preços; produtores investem em estratégias de adaptação

Os eventos climáticos extremos, como secas prolongadas, chuvas excessivas, granizo, geadas e altas temperaturas, têm afetado diretamente a produtividade no campo, além de gerar incertezas quanto ao seguro rural e instabilidade nos preços do agronegócio. No Brasil, a seca é apontada como o fator de maior impacto sobre a produção agrícola.

Em uma atividade altamente dependente das condições naturais, o produtor rural precisa monitorar constantemente o clima para garantir bons resultados. Segundo Mariana Ramos, gerente de sustentabilidade do Sistema Faemg/Senar, a gestão eficiente dos recursos naturais é essencial para a viabilidade econômica das propriedades.

“O produtor atua em uma empresa a céu aberto. Ele precisa entender o momento adequado de plantio, avaliar a disponibilidade de água e acompanhar o microclima da propriedade. Esse monitoramento constante se tornou um desafio e, ao mesmo tempo, uma obrigação para garantir produtividade, geração de renda e preservação ambiental”, explica.

Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) aponta que, entre 2013 e 2023, desastres naturais e eventos extremos intensificados pelas mudanças climáticas causaram prejuízos de R$ 287 bilhões à agropecuária brasileira. Diante desse cenário, planejamento e estratégias assertivas são cada vez mais necessários, especialmente no manejo do solo.

De acordo com Mariana, a pesquisa científica tem papel fundamental nesse processo.

“A Embrapa é uma importante fornecedora de tecnologias para o produtor rural. A recomendação é investir em cultivares mais resistentes ao estresse hídrico e às variações climáticas, sempre considerando as características específicas de cada propriedade”, afirma.

A especialista destaca ainda que a adaptação é a principal palavra-chave diante das mudanças climáticas. “Já existem materiais genéticos desenvolvidos para aumentar a resiliência das culturas. O produtor precisa se apoiar nessas soluções, planejar melhor e adotar práticas que favoreçam a adaptação às novas condições climáticas”, completa.

Para lidar com a variabilidade climática, produtores têm adotado diferentes estratégias. É o caso de Jean Matias, de Belo Vale (MG), que realiza o rodízio de áreas de cultivo em diferentes regiões do estado.

“Produzimos batata-doce em Belo Vale, mas também cultivamos em outras cidades. Atualmente, temos produção em Pirapora, o que ajuda a reduzir os riscos climáticos”, relata.

No Alto Paranaíba, o produtor Gilmar Pereira de Almeida aposta na rotação de culturas, com o plantio de alho, cenoura, milho e trigo. Segundo ele, o planejamento vai além das questões climáticas e é essencial para a sustentabilidade do negócio.

“Hoje, a eficiência é indispensável. Se não houver produtividade por hectare, as contas não fecham. O planejamento precisa considerar todos os aspectos da produção”, afirma.

Por: ITATIAIA

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