O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom-BC) decidiu promover um novo corte de 0,25 ponto percentual (p.p) na taxa básica de juros, a Selic, nesta quarta-feira (29). É a segunda redução consecutiva feita pelos diretores da autoridade monetária, levando a taxa de referência a 14,50%.
O corte ocorre em meio a uma aceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) causado pela alta no preço dos combustíveis, uma das consequências da guerra no Oriente Médio no preço do barril do petróleo. No comunicado, o Copom disse que tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevada volatilidade de preços.
A redução já era esperada pelos especialistas do mercado financeiro, de acordo com o levantamento do Boletim Focus dessa segunda-feira (27). Isso decorre da leitura de que a Selic teria pouco efeito para conter o choque de preços causado pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Dados do IBGE mostram que a prévia da inflação subiu 0,89% em abril, com destaque para os preços do grupo alimentação e bebidas (1,46%) e transportes (1,34%). No ano, o IPCA-15 acumula alta de 2,39% e, nos últimos 12 meses, de 4,37%, acima dos 3,90% observados nos 12 meses fechados em março. Nesse caso, o comitê destaca que as projeções da inflação apresentam distanciamento em relação à meta (3%) da política monetária.
“A incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados. O Comitê julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade”, disse.
Segundo o economista sênior do Banco Inter, André Valério, a perspectiva do petróleo mais elevado vai manter a pressão sobre os preços no curto prazo, aumentando a necessidade de cautela por parte do Copom nas próximas reuniões
“Esperamos que a Selic média seja mais alta ao longo de 2026, e projetamos que a taxa termine o ano em 12,75%. Mesmo com a inflação mais elevada, tanto para 2026 como para 2027, a taxa está em patamar bastante restritivo, e por período prolongado, o que tem resultado em desaceleração na demanda”, explicou.





