O embaixador do Irã na ONU (Organização das Nações Unidas), Amir Saeid Iravani, disse neste sábado (28.fev.2026) que os ataques do país persa a alvos no Oriente Médio são para proteger o seu povo em “autodefesa” aos “crimes de guerra” dos Estados Unidos. Declarou que o Irã jamais realizará o “sonho” dos norte-americanos de ser uma nação submissa.
O líder supremo do país persa, o aiatolá Ali Khamenei, morreu depois de ataques dos Estados Unidos e de Israel na capital iraniana, Teerã. Iravani repreendeu os ataques coordenados, mas não confirmou a morte do líder do Irã. A informação foi confirmada horas depois pela mídia estatal iraniana.
O discurso foi feito em reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) neste sábado (28.fev.2026). Ele lamentou que países do grupo apoiaram o ato de agressão cometido pelos EUA e por Israel contra o Irã e tenham condenado o país persa por exercer seu direito inerente à autodefesa previsto na Carta das Nações Unidas. Agradeceu à China e à Rússia pelo apoio público.
Segundo ele, os Estados Unidos atacaram áreas povoadas por civis em diversas cidades onde residem milhões de pessoas. Centenas foram mortas por este brutal ataque armado, afirmou. Durante a tarde, o porta-voz do Crescente Vermelho iraniano, Mojtaba Khaledi, disse que, até aquele momento, 201 pessoas haviam morrido e 747 haviam ficado feridas com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país persa.
Iravani disse que os EUA lançaram 1 míssel em uma escola na cidade de Minab, província de Kormozgan, matando mais de 100 crianças. O número de mortos segue a aumentar, segundo ele.
“Isso não é apenas um ato de agressão, é um crime de guerra e um crime contra a humanidade”, disse o embaixador.
Segundo o representante do Irã, o embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Michael Waltz, recorre à desinformação para justificar agressões flagrantes desprovidas de fundamento jurídico. Waltz disse, na reunião, que o Irã insistiu em “ambições nucleares” apesar das oportunidades de resolução diplomáticas. Declarou ainda que o país defendeu seu povo diante do perigo grave e crescente com as armas nucleares.
O embaixador do Irã na ONU refutou declarações de representantes da França e do Reino Unido sobre o programa nuclear do Irã. Reforçou que os ataques dos EUA têm a intenção de violar a soberania e a integridade territorial do país persa.
“A invocação de alegações de ataques preventivos de ameaças iminentes ou outras alegações políticas fundamentadas não podem legitimar a agressão. Tais alegações são infundadas legal, moral e politicamente e contradizem os princípios claros da Carta das Nações Unidas”, declarou Iravani.
Ele declarou ainda ser falsa a ameaça iminente ao povo americano. Afirmou que é uma tentativa deliberada de enganar a comunidade internacional e a opinião pública dos EUA.
“A história fornece ampla documentação de que a política externa dos Estados Unidos tem repetidamente se baseado em força ilegal, intervenção secreta e manipulação política para alterar a governança de outros estados membros”, disse o embaixador do Irã.
O representante do Irã na ONU disse que Israel tem um regime terrorista e que, junto com os EUA, cometeu um ato flagrante de agressão e violação completa do direito internacional.
O embaixador afirmou que comunicou diversas vezes ao conselho da ONU sobre declarações belicistas e ações de interferências nos assuntos internos do Irã por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). Ele afirmou que houve violação da Carta da ONU e do direito internacional. Pediu ação do Conselho de Segurança.
“Lamentavelmente, todas [as comunicações] ficaram sem resposta”, disse Iravani. “A guerra dos Estados Unidos e Israel hoje não é meramente uma guerra contra o Irã. É uma guerra contra a Carta das Nações Unidas, contra o direito internacional e contra a ordem jurídica internacional sobre a qual as Nações Unidas e o Conselho de Segurança foram construídos por mais de 8 décadas”, completou.
Ele declarou que a retaliação do Irã é um direito inerente à legítima defesa, conforme o artigo 51 da Carta das Nações Unidas. Defendeu que o governo iraniano não atacou a soberania dos países, ou provocou os interesses dos países vizinhos no Golfo Pérsico.
Os ataques foram direcionados “exclusivamente” às bases e ativos do governo dos EUA que operam fora do controle dos Estados anfitriões.
Iravani disse que o sonho do governo “hostil” dos EUA de engolir o Irã e forçar a República Islâmica do Irã à submissão “jamais se concretizará”. Defendeu ainda que o país persa jamais se submeterá à coerção pela força.
O embaixador dos EUA na ONU declarou que o mundo observou durante anos o massacre em massa de civis e inocentes e tentará “dar lições hoje sobre direitos humanos e o Estado de Direito”. Afirmou que a presença do país no conselho da ONU “ridiculariza” o órgão.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou a morte de um número significativo de civis. Disse que, pelo menos, 85 pessoas morreram e muitas outras ficaram feridas em escola feminina na província de Moghan. Uma escola em Teerã teria sido atingida, causando duas mortes.
Guterres declarou que a ação militar está se expandindo rapidamente por toda a região, tornando a situação cada vez mais volátil e imprevisível.
O secretário também foi informado de ataques com drones e mísseis de ambos os lados no Iraque. O Irã teria fechado o Estreito de Ormuz, região marítima que transporta volume significante de barris de petróleo para o mundo.
“Eu condenei os ataques militares massivos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. E também condenei os ataques subsequentes do Irã, (0:21) violando a soberania e a integridade territorial do Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos”, disse.





