• Quarta-feira, 13 de maio de 2026

Ações de empresas de moda recuam com o fim da ‘taxa das blusinhas’

Empresas como Renner, C&A e Riachuelo tiveram dia de queda na bolsa após a revogação da taxa de imposto de importação

As ações das empresas do setor varejista de moda recuaram na B3 nesta quarta-feira (13), após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revogar a chamada “taxa das blusinhas” no dia anterior. No geral, o setor afirma que a medida pode ampliar a desigualdade tributária entre produtos nacionais e importados, e classifica a decisão como “extremamente equivocada”.

Por volta das 16h, as ações das Lojas Renner S.A (LREN3) apresentavam uma queda de 3,87% no dia, negociados a R$ 13,16. No mesmo período, C&A Modas S.A (CEAB3) despencou 5%, cotada a R$ 10,43.

Já a Guararapes Confecções (RIAA3), dona da rede Riachuelo, apresentava uma queda superior a 5%, a R$ 8,16. A queda nas companhias mostra um pessimismo do mercado financeiro quanto à medida, que beneficia principalmente empresas estrangeiras de comércio eletrônico, como as populares Shein e Shopee.

A incidência do imposto de importação de 20% sobre as compras de até US$ 50,00 estava em vigor desde 2024, sendo uma das principais pautas do setor têxtil para combater a entrada de produtos estrangeiros no mercado. Contudo, a medida havia causado um desgaste do governo federal e um debate sobre o impacto das plataformas estrangeiras.

Reação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma nota afirmando que o fim da taxa é prejudicial à indústria brasileira e ao desenvolvimento econômico nacional. Segundo a entidade, a medida representa uma vantagem concedida a indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional.

O presidente da entidade, Ricardo Alban, disse que o fim da taxa é o mesmo que “financiar a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil. “O prejuízo é direto a quem fabrica e comercializa em território brasileiro”, declarou.

Já o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) informou que a revogação pode ampliar a desigualdade tributária entre produtos nacionais e importados. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) classificou a revogação da cobrança como “extremamente equivocada”.

Plataformas de e-commerce apoiam medida

Por outro lado, plataformas de vendas no varejo digital comemoraram o fim da “taxa das blusinhas”. A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), representante de empresas como Amazon, Alibaba, Shein e 99, afirmou que a tributação era “extremamente regressiva” e reduzia o poder de compra das classes mais baixas. Segundo a entidade, a “taxa das blusinhas” aprofundava a desigualdade social no acesso ao consumo e não cumpriu a promessa de fortalecer a competitividade da indústria. 

Na assinatura da MP que acabou com a cobrança, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, disse que a medida só foi possível após três anos de combate ao “contrabando” e a regularização do setor.

Por: ITATIAIA

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