As tecnologias desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) demonstram como o uso da inteligência artificial (IA) e do monitoramento remoto, por meio de drones e satélites, está transformando a agropecuária brasileira, promovendo mais eficiência e sustentabilidade.
Pesquisadores do projeto Semear Digital desenvolveram um sistema que combina drones e IA para monitorar o crescimento de bovinos em confinamento, enquanto a Embrapa Territorial, em São Paulo, criou um método baseado em imagens de satélite e inteligência artificial para mapear a expansão ou a redução anual de áreas agrícolas efetivamente irrigadas.
O projeto Semear Digital utiliza drones e inteligência artificial para monitorar o desenvolvimento de bovinos em confinamento. A tecnologia busca identificar o momento ideal para o abate, conhecido como “ponto de inflexão”, fase em que o animal atinge o pico de ganho de peso e sua eficiência alimentar começa a diminuir.
Entre as principais vantagens do sistema estão a redução do estresse dos animais, causado pelas pesagens tradicionais em balanças, a diminuição de danos em equipamentos e a redução dos custos com alimentação. Os drones capturam imagens dos bovinos, enquanto modelos de IA analisam medidas corporais, como comprimento e largura, para modelar o ganho de peso de forma não linear.
Além disso, o projeto prevê a expansão da tecnologia para outras raças, como Angus e Brahman, e o desenvolvimento de ferramentas capazes de identificar anomalias comportamentais nos animais.
A Embrapa Territorial desenvolveu um método inovador que utiliza imagens do satélite Sentinel-2 e inteligência artificial para mapear áreas efetivamente irrigadas com base na umidade do solo. A iniciativa apoia o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) no monitoramento de políticas públicas voltadas ao uso eficiente da água na agricultura.
O sistema consegue diferenciar se a umidade do solo é resultado da chuva ou da irrigação, inclusive em períodos chuvosos, permitindo identificar áreas que realmente produziram e não apenas aquelas com infraestrutura instalada. A tecnologia utiliza a técnica de vetorização, que desenha o contorno real das áreas, em vez da contagem por pixels, reduzindo erros e tornando a medição territorial mais precisa.





