• Quarta-feira, 13 de maio de 2026

Volume de vendas do comércio cresce 0,5% em março e amplia recorde

Setor é impulsionado pela queda de quase 10% no dólar em 2026, com destaque para vendas de escritório

O volume de vendas do comércio varejista cresceu 0,5% em março, na comparação com o mês de fevereiro, segundo dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgada nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o setor renova o recorde que tinha atingido no mês anterior para a série histórica.

Segundo o IBGE, houve crescimento das vendas em cinco das oito atividades pesquisadas: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (5,7%), Combustíveis e lubrificantes (2,9%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,9%), Livros, jornais, revistas e papelaria (0,7%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,1%).

O gerente da PMC, Cristiano Santos, explica que na atividade de equipamentos para escritório, informática e comunicação, a maior parte dos produtos são importados. “Os custos dessa atividade estão muito relacionados à variação do dólar e nos últimos três meses a gente vem observando a valorização do real frente a moeda americana”, disse.

No ano, a moeda americana já acumula uma queda superior a 10%. Em março, a cotação média do dólar foi de R$ 5,23, enquanto exatamente um ano antes a moeda batia quase R$ 6,00. O câmbio desvalorizou na medida em que os riscos de investimentos na economia dos Estados Unidos aumentaram com a guerra no Oriente Médio.

O real também se beneficia do diferencial de juros entre Brasil e EUA. Enquanto a taxa americana está no intervalo entre 3,5% a 3,75% ao ano, a Selic está em 14,5%, favorecendo a tomada de empréstimo nos EUA e o investimento na economia brasileira, uma estratégia conhecida como “carry trade”.

Do lado negativo, ficaram duas atividades: Móveis e eletrodomésticos (-0,9%), puxada pelas quedas no setor de móveis, e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,4%) que, em março, apresenta a maior queda do setor desde junho de 2024, quanto atingiu -3,0%. A atividade de Tecidos, vestuário e calçados ficou estável (0,0%) em relação a fevereiro.

Na comparação entre março de 2026 e o mesmo mês do ano passado, o comércio varejista cresceu 4,0%. Segundo o IBGE, todas as atividades apresentaram crescimento nesse recorte, com destaque para equipamentos e material para escritório (22,5%), a segunda maior desde o segundo semestre de 2021.

Frente a fevereiro, na série com ajuste sazonal, o comércio varejista teve resultados positivos em 19 das 27 Unidades da Federação, com destaque para Maranhão (3,8%), Amazonas (3,7%) e Piauí (3,5%). Por outro lado, pressionando negativamente, figuram sete das 27 Unidades da Federação, com destaque para Bahia (-2,2%), Pernambuco (-2,0%) e São Paulo (-1,0%). A Paraíba mostrou estabilidade (0,0%).

Por: ITATIAIA

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