Importante em diversos setores, a sustentabilidade está cada vez mais presente nas práticas do agronegócio. Em Minas Gerais, o Selo Verde, criado e gerido pelo Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SISEMA), atua com foco na rastreabilidade transparente. A plataforma mapeia propriedades rurais e gera diagnósticos automatizados sobre o cumprimento do Código Florestal.
A ferramenta também é importante para o acesso ao crédito rural. Instituições financeiras utilizam os dados do sistema para validar critérios de sustentabilidade na concessão de financiamentos. Além disso, o Selo Verde auxilia no combate ao desmatamento ao combinar imagens de satélite e dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para identificar irregularidades ambientais.
Pedro D'Ângelo, gestor do programa Selo Verde, explica que a plataforma disponibiliza estimativas da produção agropecuária e da adequação ambiental das propriedades.
“O Selo Verde surgiu na esteira de um artigo muito famoso chamado Rotten Apples of Agribusiness. O estudo, escrito por vários professores, mostrou que havia um problema sério de conformidade de dados públicos no Brasil e que era necessário ampliar a transparência e a rastreabilidade. O objetivo é demonstrar que, em Minas Gerais, os produtores cumprem a legislação ambiental e outras normas. O Selo Verde é uma plataforma pública e gratuita, apoiada pela União Europeia por meio de recursos do programa Al-Invest Verde. Qualquer produtor pode acessá-la inserindo o número do CAR. Hoje, a plataforma cobre todos os cadastros ambientais rurais de Minas Gerais, que somam mais de 1,1 milhão”, afirma.
O estado atende a critérios da regulação europeia, com mais de 90% das propriedades rurais mineiras regularizadas. Com a chancela do Selo Verde, Minas Gerais exportou, apenas no mês passado, 360 sacas de 60 quilos de café especial para a Itália.
Para os produtores, sustentabilidade é parte fundamental da rotina no campo. Anderson Fernandes do Carmo, produtor de batata-doce em Belo Vale, explica que o cuidado ambiental começa pelo manejo do solo.
“Para o produtor, creio que seja cuidar bem do solo. Nós temos que cuidar da terra, não só da nossa, porque também arrendamos alguns terrenos para fazer o rodízio das culturas. No caso da batata-doce, não é possível repetir a cultura por muito tempo no mesmo lugar. Então, buscamos cuidar ao máximo de todos os terrenos, sejam alugados ou próprios, para continuar produzindo”, explica.
Aloísio dos Santos Eloi, produtor de banana em Nova União, destaca que o maior interessado na preservação ambiental é o próprio produtor rural.
“A gente tem que conservar o solo, porque é dele que tiramos nossa sobrevivência e também o sustento de grande parte da população. Além de produzir, precisamos preservar. A água é fundamental, principalmente diante da escassez que vem sendo registrada no mundo inteiro. Com tantos impactos ambientais acontecendo, precisamos fazer nossa parte para preservar”, aponta.
Nilson Martins Alves, produtor em Jaíba, reforça que o cuidado com o meio ambiente deve ser prioridade para todos os trabalhadores do campo.
“É preciso usar a água com economia e responsabilidade, além de investir em uma adubação adequada. Todo produtor rural precisa ter essa consciência e essa possibilidade. Lá, graças a Deus, nós temos isso”, detalha.
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