Em maio de 1984, Brasília ainda tentava se consolidar para além do funcionalismo público quando as bioquímicas Janete Vaz e Sandra Soares Costa decidiram abrir um pequeno laboratório de análises clínicas. O cenário econômico do país era de pura incerteza, e o setor de saúde na capital federal funcionava de maneira muito rígida.
Com apenas quatro funcionárias e uma estrutura modesta, a dupla percebeu que os concorrentes locais deixavam a desejar no quesito mais básico: o acolhimento ao paciente. Esse olhar atento para as brechas do mercado foi o ponto de partida para o nascimento do Sabin, batizado em homenagem ao cientista Albert Sabin, criador da vacina oral contra a poliomielite.
Quatro décadas depois, aquela operação tímida no Centro-Oeste se transformou em uma das maiores potências de medicina diagnóstica do Brasil, fechando o ano de 2024 com um faturamento de R$ 1,75 bilhão.
O que mais chama a atenção de investidores e analistas do setor é que, ao contrário de quase todos os grandes concorrentes que abriram capital na Bolsa de Valores ou se venderam totalmente para fundos estrangeiros, o Sabin preferiu manter o capital fechado. As fundadoras preservaram o controle estratégico e a independência do negócio.
A virada de chave para o cenário nacional ganhou força a partir de 2010. Em vez de travar uma disputa pelas capitais mais saturadas do Sudeste, o grupo desenhou uma estratégia agressiva de aquisições focada em cidades médias e municípios do interior do país.
Foram 32 compras de laboratórios regionais em cerca de uma década, o que ajudou a descentralizar o acesso à saúde de alta complexidade. Hoje, a rede soma mais de 360 unidades espalhadas por 14 estados e pelo Distrito Federal, atendendo cerca de 7 milhões de clientes todos os anos.
Outro pilar decisivo para essa escalada foi a transição planejada da gestão familiar para a liderança profissional. Em 2014, o comando executivo da companhia passou para as mãos de Lídia Abdalla. Ela conhecia a operação como poucos: havia entrado no Sabin em 1999 como trainee, logo após se formar em farmácia bioquímica.
Sob a gestão da nova diretora-executiva, o grupo multiplicou o tamanho da operação por seis. Essa trajetória interna conversa diretamente com a cultura da empresa, onde as mulheres ocupam 74% dos cargos de chefia e representam 77% do quadro total de colaboradores.
Nos últimos anos, o foco da marca se expandiu para além dos exames de sangue tradicionais. O portfólio passou a cobrir serviços de imagem, clínicas de vacinação e check-ups customizados. Para acompanhar o ritmo da saúde digital, a empresa lançou o Skyhub, um polo voltado para inovação em análises clínicas, e a Rita Saúde, uma plataforma digital desenhada para facilitar o acesso de pacientes que não possuem planos de saúde privados.
Ao mesmo tempo, as iniciativas de impacto social ganharam corpo por meio do Instituto Sabin. A instituição cuida da montagem de ludotecas (ou brinquedotecas) em hospitais e fóruns públicos, além de coordenar mutirões de exames gratuitos para comunidades em situação de vulnerabilidade social. Ao equilibrar tecnologia de ponta, expansão acelerada e gestão humanizada, a rede que nasceu em uma pequena sala comercial em Brasília consolidou um modelo de negócio que dita tendências no mercado de saúde brasileiro.
*Com edição de Luiz Daudt Junior.





