• Sexta-feira, 1 de maio de 2026

Na Agrishow, drones consolidam nova era de eficiência e economia no campo brasileiro

Força da engenharia brasileira também brilha na feira, com sistema que permite uma economia real de até R$ 136 mil por safra

O céu sobre as lavouras brasileiras nunca esteve tão movimentado. Na Agrishow 2026, a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, os drones deixaram de ser uma promessa futurista para se tornarem o alicerce da produtividade. De acordo com o Ministério da Agricultura (MAPA), o salto é impressionante: de 3 mil equipamentos em 2021 para 35 mil em operação em 2025. A projeção do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) é que, em três anos, o país alcance a marca de 100 mil drones no campo.

Essa expansão é impulsionada por números que saltam aos olhos do produtor. Modelos de pulverização podem gerar economia de até 30% em defensivos, além de reduzir drasticamente o consumo de água e as emissões de carbono. No plantio, a agilidade impressiona, com equipamentos capazes de semear até 50 hectares por dia.

Líder mundial com presença em mais de 100 países, a DJI Agriculture trouxe para Ribeirão Preto sua nova geração de soluções. A linha Agras (T100, T70P, T25P) e o drone de carga FlyCart 100 — com capacidade de até 85kg — mostram que a logística e o manejo ganharam novos padrões.

Para Eunice Yang, Gerente de Canais Brasil da DJI Agriculture, o segredo da rápida adoção no Brasil está na combinação de custo acessível e capilaridade. "Entramos oficialmente no Brasil em 2020 e, desde então, o valor do drone vem baixando, tornando-se muito mais acessível para os produtores", afirma Yang. Ela destaca que, até o fim de 2025, a empresa estabeleceu mais de 400 pontos de venda e serviço no país.

Sobre a facilidade de uso, Yang desmistifica o temor tecnológico. "Muita gente acha que é uma tecnologia complicada, mas de fato não. Nossa tecnologia é projetada para ser confiável e fácil de usar, e fornecemos treinamentos para os clientes finais. Hoje, atendemos mais de 300 tipos de culturas, do milho ao citros".

Um dos marcos da empresa nesta edição foi o lançamento mundial do relatório Agricultural Drone Industry Insight Report 2025/2026, que consolida tendências globais e dedica um capítulo exclusivo ao sucesso do mercado brasileiro.

A força da engenharia brasileira também brilha na feira. A Xmobots, maior empresa de drones da América Latina, sediada em São Carlos (SP), apresentou o sistema SPAD 200B, uma solução que promete atacar diretamente a dor financeira do produtor em tempos de margens apertadas.

A combinação entre o hardware SPAD e o software de gestão DAASFY permite uma economia real de até R$ 136 mil por safra (considerando uma área de 54 mil hectares), reduzindo o custo operacional em 58% se comparado ao uso de autopropelidos tradicionais.

Rafael Fernandes, Diretor de Vendas Agro da Xmobots, explicou que o sistema opera com dois drones e suporte completo, incluindo antenas Starlink e estações meteorológicas. "O sistema consegue uma eficiência de 70 hectares por hora de pulverização, o que o torna extremamente competitivo com pulverizadores tradicionais. O investimento inicial chega a ser três vezes menor do que o de um autopropelido", destacou Fernandes.

No estande da marca, os visitantes puderam ver o Sistema de Pulverização Aérea com Drones (SPAD 200B) em ação, com dois veículos não tripulados em operação simultaneamente.

Segundo o executivo, o mercado brasileiro consumiu mais de 10 mil unidades apenas de drones pulverizadores em 2025, com expectativa de crescimento de 40% para 2026. "O produtor está cuidando muito da operação, já que o custo para operar está apertado. Ter uma solução eficiente, com benefícios agronômicos e menor investimento, encaixa como uma luva para o momento", concluiu.

Além das aeronaves, a gestão de dados tornou-se o diferencial competitivo. O ecossistema SmartFarm, da DJI, exemplifica essa tendência ao integrar aplicativos móveis e plataformas web para monitorar cada voo e analisar mapas de vegetação. No cenário atual, a eficiência deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade de sobrevivência no agronegócio, transformando o rastro físico no solo pela precisão digital no ar.

Por: ITATIAIA

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