O acordo Mercosul e União Europeia, que estava sendo negociado há mais de 26 anos, entrou em vigor nesta sexta-feira, 1º de maio. Para a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), essa data representa um momento histórico para a inserção internacional do Brasil e uma oportunidade concreta de expansão para a indústria catarinense.
Com diversos setores competitivos, a indústria de SC vê mais oportunidades do que ameaças com esse acordo. Para a federação, se inicia um novo ciclo de competitividade, com mais redução de barreiras, segurança jurídica e ampliação de acesso a mercados.
– Este é um marco histórico para o Brasil e para Santa Catarina. O acordo abre uma nova etapa de inserção internacional, ampliando mercados e criando condições mais favoráveis para que nossas indústrias negociem com competitividade e previsibilidade – afirma Gilberto Seleme, presidente da Fiesc.
– É também uma oportunidade concreta de fortalecer as exportações catarinenses e atrair investimentos, consolidando o estado como um player relevante no comércio global – destaca também o presidente da Fiesc.
A redução das tarifas será gradativa, em 12 anos. Mas 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos importados pela União Europeia terão tarifa zero.
Empresas catarinenses iniciaram há mais de um mês procedimentos para aproveitar as novas oportunidades que começam nesta sexta-feira. Os produtos que eram taxados e passaram a ter novas alíquotas, são desembaraçados nos portos e aeroportos a partir desta sexta-feira com alíquota zero ou com nova alíquota prevista.
Esse movimento de ampliação de exportação para a Europa em SC começou no ano de 2025, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu adotar tarifaço de 50% contra o Brasil. Por isso, no ano passado, as vendas catarinenses ao velho continente subiram 10,7%.
O acordo Mercosul e União Europeia não deve ser analisado apenas como uma mudança de tarifas, mas como uma mudança estrutural na forma de competir e operar no comércio exterior. Essa opinião é de Aline Faraco, sócia-fundadora da empresa de comércio exterior Faracomex, de Florianópolis.
– Estamos diante de um novo cenário onde acesso a mercado, exigência regulatória e eficiência operacional caminham juntos. E esse movimento acontece em paralelo à implementação da Declaração Única de Importação (DUIMP), o que torna esse momento ainda mais desafiador – e, ao mesmo tempo, mais estratégico – afirma Aline Faraco.
Na avaliação da especialista, produtos do agro como carnes, soja, café e frutas começam nesse acordo com vantagens claras, mas terão exigências mais rigorosas de rastreabilidade e sustentabilidade.
Indústrias de base como celulose, minérios, químicos e metalmecânicos terão mais oportunidades de vendas na Europa. Isso também vale para produtos industrializados que se diferenciam pela qualidade, marca e adequação regulatória.
Considerando oportunidades de importações, a Faracomex avalia que aquisições de equipamentos industriais, tecnologias para produção e automação serão facilitados. Isso vai colaborar para a modernização de parques fabris.
Produtos químicos e farmacêuticos da Europa ficarão mais baratos no Brasil, facilitando acesso à tecnologia e inovação. No caso do setor de autopeças, haverá mais competitividade com empresas locais.





