A instabilidade geopolítica no estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo, já provoca reflexos no agronegócio catarinense. Em Santa Catarina, produtores e indústrias do arroz relatam aumento no custo de insumos como óleo diesel e fertilizantes, o que pode comprometer o próximo ciclo produtivo e pressionar o preço do alimento nos supermercados.
O impacto ocorre justamente no momento em que o Estado finaliza a colheita da safra 2025/26 e começa a se preparar para o novo plantio, previsto para agosto. A preocupação é compartilhada pelo Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), que aponta dificuldades acumuladas desde o ano passado.
Segundo o presidente da entidade, Walmor Rampinelli, os itens que compõem os custos fixos de produção e beneficiamento tiveram aumento médio de 20% em relação ao ano anterior.
“Todos os elos da cadeia produtiva estão sendo afetados. O setor de embalagens aplicou reajuste acima de 40%, a tabela da ANTT reajustou o valor dos fretes, excluindo a livre negociação e causando aumento nos custos fixos tanto dos produtores, quanto das indústrias beneficiadoras de arroz. Isso é um agravante e tanto para a situação econômica que estamos enfrentando desde 2025”, afirma.
No Sul catarinense, o produtor de arroz Israel Alexandre, de Forquilhinha, relata que o litro do diesel S500 utilizado nas operações da lavoura custava cerca de R$ 5,50 durante a colheita da safra 2025/26. Atualmente, segundo ele, o valor já supera os R$ 7.
Além do combustível, fertilizantes como NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio) e ureia também registraram aumento, pressionando ainda mais os custos de produção.
“A cadeia produtiva sofre com ciclos de alta oferta e pouca demanda, e alta demanda e pouca oferta, mas esses ciclos nunca são lineares à escassez de insumos e isso descapitaliza o produtor”, disse.
“Se acrescentarmos a baixa no consumo do grão e o impacto dos conflitos geopolíticos mundiais no valor dos produtos que utilizamos, não resta uma alternativa senão a de reduzir a área plantada e diminuir o uso de fertilizantes e maquinários”, acrescenta Alexandre.
Santa Catarina é o segundo maior produtor de arroz do país e responde por mais de 10% do abastecimento nacional. Para o setor, caso os custos continuem elevados, a tendência é de redução das áreas cultivadas na safra 2026/27.
Esse movimento pode resultar em menor oferta do grão no mercado interno e, consequentemente, em aumento de preços ao consumidor nos próximos meses.
Diante do cenário, o SindArroz-SC e a Câmara Setorial do Arroz articulam medidas junto ao Governo Federal. Entre as ações, está o pedido de reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin para discutir alternativas de redução dos custos de produção e carga tributária.
“Entendo que com a extensão desta crise os produtores devem reduzir significativamente a área plantada devido ao alto custo de produção. Entretanto, essa redução ocasionará no aumento dos preços do arroz e na redução de oferta do nosso produto nos supermercados, e isso vai atingir o bolso das famílias brasileira”, pontua o presidente do sindicato.





