A mineradora multinacional Vale decidiu implementar, de forma independente, o fim da escala 6×1 para todos os trabalhadores. A empresa formalizou, na última quinta-feira (7), um acordo coletivo que reduz a carga horária de mais de 100 mil funcionários em todo o país.
O acordo foi firmado na Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais, com participação de representantes da Vale, dirigentes sindicais, da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de autoridades do Ministério do Trabalho. A medida terá validade nacional.
Com a mudança, os funcionários da mineradora passarão a ter jornada máxima de 40 horas semanais, em regime administrativo 5×2. O modelo já era aplicado em algumas áreas da companhia, mas agora será estendido a todos os trabalhadores. Os turnos de revezamento também deverão respeitar o limite de 40 horas semanais, exceto em casos de horas extras compensadas por acordo coletivo.
Segundo o Sindicato Metabase de Itabira, a decisão faz da Vale “a primeira grande empresa do Brasil a adotar o novo modelo de jornada”, além de reforçar a negociação coletiva e pautas relacionadas à saúde, qualidade de vida e segurança dos trabalhadores. O sindicato também destacou avanços ligados à NR-1 e à gestão de riscos psicossociais.
A decisão ocorre em um momento em que a mineradora encerrou 2025 com lucro líquido de US$ 2,3 bilhões no balanço em dólares, resultado 62% menor que o registrado em 2024. No quarto trimestre, a companhia reportou prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões, impactado por despesas contábeis extraordinárias.
Sem considerar os efeitos extraordinários, a Vale teria registrado lucro líquido de US$ 1,5 bilhão no quarto trimestre e ganho acumulado de US$ 7,8 bilhões em 2025. Entre os fatores que afetaram o desempenho estão a redução de valor contábil de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals, uma baixa contábil de US$ 2,8 bilhões em imposto diferido de subsidiária e despesas relacionadas às compensações da tragédia de Mariana, em Minas Gerais.
O Ebitda ajustado da empresa somou US$ 4,6 bilhões entre outubro e dezembro, acima dos US$ 3,8 bilhões registrados no mesmo período de 2024. Segundo a companhia, o resultado foi impulsionado pelo aumento nos volumes de vendas, pelos preços do cobre e do minério de ferro, além de receitas de subprodutos e melhorias operacionais.
Ao longo de 2025, a Vale ampliou em 2,6% a produção de minério de ferro, alcançando 336,1 milhões de toneladas. O volume superou, pela primeira vez desde 2018, a produção da concorrente Rio Tinto em Pilbara, principal polo produtor da empresa australiana.
“Em 2025, a Vale entregou um desempenho excepcional, atingindo ou superando todos os guidances”, afirmou o presidente Gustavo Pimenta no relatório da administração.
A receita líquida de vendas da mineradora chegou a US$ 11,06 bilhões no quarto trimestre, alta de 9% em relação ao mesmo período de 2024. Já a produção entre outubro e dezembro atingiu 90,4 milhões de toneladas, avanço de 6% na comparação anual, impulsionado pelo desempenho da mina Brucutu e pelo desenvolvimento dos projetos Capanema e VGR1.
O endividamento da companhia também cresceu no período. A dívida líquida somou US$ 11,2 bilhões no quarto trimestre, aumento de 7% frente aos US$ 10,5 bilhões registrados um ano antes. Já a dívida líquida expandida, que inclui provisões relacionadas a Brumadinho, Samarco e swaps cambiais, encerrou o trimestre em US$ 15,6 bilhões, redução de 5% na comparação anual, refletindo a maior geração de caixa livre das operações.





