• Quarta-feira, 13 de maio de 2026

Novo conflito entre sócios da dona da Hering vai parar na Justiça

Desentendimentos entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy, principais sócios da Azzas 2154, permanecem

O aparente acordo de paz entre os principais sócios da Azzas 2154, gigante da moda que tem a Hering sob seu guarda-chuva, parece não ter durado muito tempo. Os desentendimentos entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy sobre a condução dos negócios não apenas persistiram como agora extrapolaram as paredes da empresa, indo parar na Justiça.

Jatahy entrou com uma cautelar, como revelou o colunista Lauro Jardim, de O Globo, para tentar impedir a retirada da marca Reserva, uma das principais do grupo, da operação interna liderada por ele. O objetivo seria evitar a perda de R$ 116 milhões de Ebitda oriundos das sinergias da integração da marca após a fusão entre Arezzo e Grupo Soma, que deu origem à Azzas 2154.

Em abril, em meio a uma debandada de diretores, a Azzas 2154 anunciou mudanças na estrutura organizacional interna, com o retorno de Jatahy à linha de frente para liderar a unidade Fashion&Lifestyle Women, um desdobramento por gênero da unidade Fashion&Lifestyle. A Reserva é uma marca de moda masculina, e ficaria fora desta vertical.

Por decisão de Birman, que é o CEO do grupo, a Reserva seria separada da operação comandada por Jatahy e se uniria à unidade Basic, cujo carro-chefe é a Hering, presidida por David Python. Segundo apuração do Valor Econômico, houve um comunicado interno a respeito em abril. Jatahy então acionou o conselho de administração na tentativa de barrar a medida. Sem sucesso, foi à Justiça.

Nesta terça-feira (12) pela manhã, a Azzas 2154 disparou comunicado ao mercado informando ter sido “surpreendida” pela existência da ação judicial de Jatahy referente à gestão da unidade de moda masculina da companhia. Segundo a empresa, nos termos do estatuto social, isso é algo que compete ao CEO (Birman) decidir.

“Trata-se de assunto também regulado em acordo de acionistas da companhia, e não se esperam repercussões para a operação”, diz a nota.

Ao longo do dia, a 7ª Vara Empresarial da Comarca do Estado do Rio de Janeiro concedeu liminar favorável à Jatahy, alegando que o assunto deve ser tratado numa arbitragem entre as partes. 

O processo corre em sigilo, mas a própria Azzas 2154 disse, em outro comunicado disparado no fim da tarde de terça, que a decisão determinou a abstenção da prática de atos e a manutenção da estrutura organizacional da companhia vigentes até 22 de abril com relação às unidades de negócio de vestuário feminino e masculino, além da manutenção de Jatahy na função de Chief Brand Officer e, interinamente, como responsável pela gestão das unidades.

Por: NSC Total

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