O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reuniu-se nesta 4ª feira (14.jan.2026) com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, na sede da corporação, em Brasília. Chegou às 19h10 e saiu às 20h15, sem dar declarações.
O encontro se deu depois da escalada institucional provocada pela 2ª fase da operação Compliance Zero –que mira o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outros investidores. A reunião é interpretada como um gesto de aproximação e respaldo do BC à PF, num momento de tensão entre investigadores e o Supremo.
O BC esteve no centro da crise ao liquidar o Master em 2025 e segue sob pressão. A agenda foi marcada horas depois de o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli determinar novas regras para a guarda das provas apreendidas pela PF e fazer críticas públicas à corporação por suposta “inércia” na deflagração da operação.
A ação desta 4ª feira (14.jan) é uma nova etapa da investigação que apura fraudes bilionárias no Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo BC em 2025. Segundo a PF, o esquema envolve emissão de CDBs com remuneração irreal, captação irregular e rombo estimado em até R$ 12 bilhões no sistema financeiro.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro, familiares e outros investigados, em São Paulo e em outros Estados. A PF apreendeu carros de luxo, relógios, dinheiro em espécie e outros bens, avaliados como parte de um esquema superior a R$ 5,7 bilhões.
Os mandados foram autorizados por Toffoli a partir de representação da PF de 6 de janeiro. O ministro determinou que a operação fosse cumprida em até 24 horas a partir de 12 de janeiro e, em despacho, criticou a “falta de empenho” da PF por não ter deflagrado a ação no prazo que considerava adequado.
Ainda nesta 4ª feira, Toffoli ordenou que todo o material apreendido fosse lacrado e enviado diretamente ao STF, ficando sob guarda do gabinete do ministro para posterior perícia. A decisão retirou da PF o acesso imediato a celulares, mídias e documentos, o que acirrou o conflito institucional.
A direção-geral da PF enviou manifestação formal ao ministro afirmando que manter as provas no STF, sem acesso técnico da corporação, pode prejudicar perícias e atrasar o andamento das investigações. A PF pediu a liberação imediata dos dispositivos eletrônicos para análise.
Diante da resistência, Toffoli divulgou nova ordem, reiterando que as provas devem permanecer lacradas no Supremo e só depois submetidas a exames periciais. O Poder360 apurou que, na prática, houve divergências sobre o modelo de guarda adotado no dia da operação.
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A PF deflagrou nesta 4ª feira (14.jan) a 2ª fase da operação Compliance Zero, que atingiu o Banco Master. A corporação investiga a prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais.
A operação inclui buscas em endereços ligados a Vorcaro e seus parentes –entre eles, o pai, a irmã e o cunhado. O empresário Nelson Tanure também é alvo. Estão sendo cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.
Toffoli, relator do inquérito do caso no STF, foi quem autorizou a busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro. Leia a íntegra da decisão (PDF – 120 kB)
O ministro afirmou que, depois de novas manifestações da PF e da PGR (Procuradoria Geral da República), reconsiderou um pedido anterior para novas diligências contra o empresário. “Diante das ponderações da Autoridade Policial e da Procuradoria Geral da República, reconsidero, em parte, a decisão combatida, para deferir novas diligências na residência do investigado”, afirmou.
No parecer, a PGR entendeu que era “necessário, útil e pertinente que o investigado seja alvo de busca e apreensão em referido endereço, para colheita de documentos, anotações, registros, mídias, aparelhos eletrônicos e demais dispositivos de armazenamento de dados que tragam para os autos em definitivo as demais circunstâncias delituosas, a identificação de outros agentes e a delimitação de suas condutas”.
Daniel Vorcaro
Em nota, a defesa do banqueiro, composta pelos advogados Roberto Podval, Pierpaolo Cruz Botini e Sérgio Leonardo, manifestou-se.
Leia a íntegra:
“A defesa de Daniel Vorcaro informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência.
“O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais.”
Nelson Tanure
Pablo Naves Testoni, que defende o empresário Nelson Tanure também se manifestou.
Leia a íntegra:
O Poder360 tentou entrar em contato com as defesas dos demais alvos da operação, mas não teve sucesso em encontrar um telefone ou e-mail válido para informar sobre o conteúdo desta reportagem. Este jornal digital seguirá tentando fazer contato com os advogados de Fabiano Zettel e Felipe Vorcaro, e este texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada.





