O BRB (Banco de Brasília) disse nesta 4ª feira (14.jan.2026) que avançou nas tratativas para reaver recursos com a liquidação do Banco Master. O banco público é credor da instituição financeira, que está no centro da 2ª fase da operação Compliance Zero.
A reunião foi realizada na 2ª feira (12.jan) com o liquidante do Master. O BRB disse que respeita a ordem de prioridade dos demais credores, mas segue atuando “com firmeza” para recuperar todos os compromissos pendentes.
“A 2ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada hoje (14), contribui para esse objetivo, pois o bloqueio de bens amplia as chances de devolução dos recursos ao BRB, fortalecendo as medidas de recuperação”, disse o BRB.
Leia a íntegra da nota:
“O BRB informa que realizou, na última segunda-feira (12), reunião com o liquidante do Master, avançando nas tratativas para reaver recursos que pertencem à instituição.
“Como credor na liquidação, o Banco respeita a ordem de prioridade dos demais credores, mas segue atuando com firmeza para recuperar todos os compromissos pendentes. A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada hoje (14), contribui para esse objetivo, pois o bloqueio de bens amplia as chances de devolução dos recursos ao BRB, fortalecendo as medidas de recuperação.
“O Banco reforça que permanece sólido, operando normalmente e garantindo a oferta completa de serviços financeiros, incluindo crédito, investimentos e atendimento nos canais digitais e presenciais”.
Mais cedo, o BRB havia dito que há um plano de capital que, dentre as opções, inclui aporte direto do controlador –o governo do Distrito Federal– caso seja confirmado prejuízo com o caso do Master.
Segundo o BRB, o BC (Banco Central) e a auditoria independente Machado e Meyer, com suporte técnico da Kroll, investigam se houve prejuízo no banco público.
“Caso seja confirmado possível prejuízo, o BRB já tem pronto um plano de capital que, entre as opções, prevê aporte direto do controlador, que já sinalizou com essa possibilidade, ou outros instrumentos que possibilitem a recomposição do capital do Banco”, declarou o BRB.
O Banco de Brasília declarou ainda que é robusto, com patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões e patrimônio de referência de R$ 6,5 bilhões. “O banco reforça que permanece sólido, operando normalmente e assegurando todos os serviços financeiros, incluindo crédito, investimentos e atendimento em canais digitais e presenciais”, disse.
O BRB é credor na liquidação extrajudicial do Banco Master. Afirmou que aprimorou seus controles internos, “mantendo suas carteiras dentro dos padrões exigidos pelos órgãos reguladores e de controle”.
O presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), ministro Vital do Rêgo, afirmou na 2ª feira (12.jan.2026) que a Corte de Contas terá acesso aos documentos do Banco Central sobre o histórico de investigação da autoridade monetária sobre o processo de liquidação do Banco Master para que possa levar o julgamento do processo para o plenário do TCU na 4ª feira (21.jan).
Nesta 4ª feira (14.jan.2026), a PF (Polícia Federal) deflagrou a operação Compliance Zero, que atingiu o Banco Master. A corporação investiga a prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais.
A 2ª fase da operação inclui buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e parentes dele –entre eles, o pai, a irmã e o cunhado. O empresário Nelson Tanure também é alvo. Estão sendo cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.
Em nota, a defesa de Vorcaro disse que o banqueiro “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes”. Declarou ainda que ele “permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito”.
O Poder360 já publicou que o Banco Central desconhece uma fábrica de créditos falsos no sistema financeiro. No centro da fraude contábil do Master está a empresa Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A., uma companhia paulista que, segundo documentos do BC, teria “originado” uma carteira de R$ 6,7 bilhões em créditos inexistentes.
Foi da Tirreno que o Master obteve um pedaço dos papéis que vendeu ao BRB (Banco de Brasília) sem lastro. O Banco Central disse ao TCU, em 29 de dezembro, que o banco de Vorcaro teria praticado gestão fraudulenta e desviado R$ 11,5 bilhões para fundos. As evidências colhidas pelo BC sugerem que os recursos provenientes do Master foram reciclados por meio de uma “cadeia de fundos e sociedades interpostas” para simular formalidade, embora mantivessem “a mesma origem e o mesmo beneficiário econômico final”.
O BC disse, ao TCU, que soube no 1º semestre de 2025 da existência de títulos podres do Banco Master. Não citou alertas feitos por entidades, como o FGC (Fundo Garantidor de Crédito), ao documento encaminhado ao TCU.
As fraudes teriam sido conhecidas, segundo o BC, durante a negociação de compra do banco pelo BRB, formalizada em março de 2025. A liquidação extrajudicial do conglomerado só foi decretada em novembro.
“No 1º semestre de 2025, foi constatada cessão de créditos inexistentes ao BRB, adquiridos pelo Banco Master S.A. de empresa terceira”, disse o BC em nota técnica enviada ao TCU. Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025.
As supostas ilegalidades foram comunicadas pelo BC ao MPF (Ministério Público do Federal) em julho de 2025. Em 17 de novembro, dia da prisão de Vorcaro, houve nova comunicação do BC ao órgão.





