O investidor Nelson Tanure foi um dos alvos da 2ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta 4ª feira (17.jan.2026), que investiga o Banco Master. As medidas foram autorizadas pelo ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Tanure foi abordado quando se preparava para embarcar em um voo para Curitiba (PR) e teve o celular apreendido. A decisão também autorizou diligências contra o banqueiro Daniel Vorcaro e familiares dele. Na decisão, Toffoli ressaltou o risco de atraso para o cumprimento da medida.
Segundo o ministro, a PF identificou novos indícios de crimes, que justificaram a realização de novas diligências contra Vorcaro. O ministro também decretou a prisão temporária de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro.
Em nota, a defesa afirmou que Tanure não tem relação de natureza societária com o Banco Master. Segundo Pablo Testoni, a apreensão do celular pela PF mostrará a inexistência de qualquer pretensa prática ilícita. Eis a íntegra da nota (PDF – 311 KB).
Nascido em Salvador (BA), em 1951, Tanure é formado em Administração de Empresas pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), em 1974. Começou a trabalhar aos 16 anos, inicialmente de forma informal. Também realizou cursos de formação complementar em instituições como Harvard Business School e Columbia University.
Nelson Tanure atua há décadas no mercado financeiro e de reestruturação empresarial. Seu perfil é associado à aquisição de empresas em dificuldades financeiras, com posterior reorganização e valorização de ativos.
Atualmente, lidera projetos e investimentos em setores como energia, telecomunicações, petróleo, saúde, infraestrutura e mídia. Em novembro de 2023, ampliou sua participação na Light, concessionária de energia elétrica que atua no Rio de Janeiro e região metropolitana, passando a ter papel ativo na tentativa de recuperação financeira e operacional da empresa.
Fora do mundo empresarial, mantém interesse por música clássica. Foi vice-presidente da Orquestra Sinfônica Brasileira e possui uma das maiores coleções privadas de discos do gênero no país. Em 1998, adquiriu a coleção do economista Mario Henrique Simonsen, ex-crítico musical da revista Veja.
Eis a íntegra da nota da defesa:
Na qualidade de advogado de NELSON SEQUEIROS RODRIGUEZ TANURE e diante da notícia de que o empresário foi incluído no bojo da operação de busca e apreensão deflagrada com autorização do STF, esclarece-se:
1) O empresário NELSON SEQUEIROS RODRIGUEZ TANURE, que tem décadas de experiência profissional no mercado de valores mobiliários, jamais enfrentou qualquer processo criminal em razão de suposta prática delitiva no contexto das empresas em que é ou foi acionista.
2) Nesse sentido, e não tendo qualquer relação de natureza societária com o BANCO MASTER S/A, do qual foi cliente nos últimos anos, nas mesmas condições em que é igualmente atendido por outras instituições financeiras conhecidas do mercado, o empresário NELSON SEQUEIROS RODRIGUEZ TANURE informa que a única medida que lhe foi imposta se resumiu à apreensão de seu aparelho de telefone celular, de modo que com isso o empresário tem certeza de que no decorrer das apurações promovidas pelo STF restará definitivamente demonstrada a inexistência de qualquer pretensa prática ilícita oriunda dessa relação.
Outra polêmica recente envolve uma denúncia criminal do Ministério Público Federal, que acusa Tanure de suposto uso de informação privilegiada no processo de compra da incorporadora Upcon pela Gafisa, entre 2019 e 2020.
Segundo o MPF, ele teria participado de manobras financeiras para inflar artificialmente o valor da empresa, aumentando sua influência dentro da construtora. A defesa diz que não houve crime, que a operação foi aprovada pelos acionistas e que a CVM nunca apontou irregularidades.
Saiba quais são algumas das empresas que Nelson Tanure participou:





