O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), informou nesta 4ª feira (14.jan.2026) que estará, junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Guarujá para marcar o início das obras do túnel Santos-Guarujá. A data ainda não foi confirmada, mas será de 2 a 10 de fevereiro.
Segundo o ministro, a cerimônia incluirá o lançamento da Pedra Fundamental, com o anúncio oficial da ordem de serviço para o início da construção.
“O Presidente Lula estará indo, na 1ª semana de fevereiro, em Santos, anunciar a ordem de serviço dessa obra tão sonhada pelo Estado de São Paulo e pela Baixada Santista”, afirmou em entrevista a jornalistas na sede do Ministério, em Brasília.
O túnel Santos-Guarujá terá papel estratégico para o escoamento de cargas do Porto de Santos, maior do país, e para a mobilidade da Baixada Santista, integrando o tráfego entre Santos e Guarujá e reduzindo congestionamentos na região.
O governo de São Paulo e a União realizaram em setembro de 2025 o leilão do túnel submerso que ligará Santos e Guarujá. Trata-se da maior obra de infraestrutura do Novo PAC. O contrato de concessão terá duração de 30 anos no modelo de PPP (parceria público-privada).
A travessia entre as duas cidades, que hoje leva até 18 minutos de balsa ou 1 hora pela rodovia Cônego Domênico Rangoni, será feita em cerca de 5 minutos pelo túnel.
A obra, esperada há mais de 100 anos, será a 1ª estrutura do tipo no Brasil e a maior da América Latina quando concluído.
A estrutura terá:

O túnel será erguido pelo método de túnel imerso, consagrado em países como Holanda, Japão e China, mas inédito no Brasil. Esse processo difere de um túnel escavado em rocha, como os de metrô. Em vez disso, utiliza módulos de concreto pré-moldados, construídos em terra e depois posicionados no fundo do canal.

O projeto é do tipo “greenfield” –ou seja, desenvolvido sem infraestrutura pré-existente, baseado em estimativas de demanda futuras.
A portuguesa Mota-Engil, controlada em 32,41% pela CCCC (China Communications Construction Company), venceu o certame.
Sem experiência em túneis imersos, a empresa contará com a expertise da chinesa, responsável por projetos como os túneis submarinos da Baía de Dalian e da ligação entre Shenzhen e Zhongshan, bem como a ponte-túnel Hong Kong-Zhuhai-Macau.
O Shenzhen-Zhongshan Link é considerado o mais longo e largo túnel imerso contínuo do mundo: 5.035 metros de extensão, construído em seções de 80.000 toneladas e instalado com equipamentos inteligentes de transporte e posicionamento.
Já a ponte-túnel Hong Kong-Zhuhai-Macau combina pontes e um túnel imerso de 6.700 metros, que o torna o trecho submerso mais extenso já construído em um projeto do tipo ponte-túnel.
A Mota-Engil ofereceu um desconto de 0,50% sobre a contraprestação pública anual de R$ 438 milhões estabelecida no edital. O repasse estatal ao projeto será feito a partir do início das operações e contará com recursos do Estado de São Paulo e da União. Eis a íntegra do edital (PDF – 699 kB).
A outra proponente foi a Acciona, que já conduz a obra da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo. A empresa espanhola não ofereceu desconto sobre a contraprestação.





