A Enel São Paulo revisou os dados sobre o apagão provocado por um evento climático extremo no Estado nos dias 9 e 10 de dezembro de 2025 e informou à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que o total de unidades consumidoras afetadas chegou saiu de 2 milhões para 4,4 milhões.
Leia a íntegra da carta enviada à agência reguladora em 19 de dezembro, no âmbito de uma fiscalização aberta para apurar o desempenho da distribuidora durante o evento (PDF – 441kB).
O maior contingente de clientes afetados pela falha no abastecimento foi em 10 de novembro, segundo a empresa. Do total, aproximadamente 3,28 milhões tiveram o fornecimento restabelecido com atuação de equipes de campo, enquanto 1,13 milhão foi atendido de forma automática, sem necessidade de deslocamento.
As condições climáticas provocaram sucessivas quedas de árvores e danos à rede elétrica, resultando em um acúmulo de interrupções ao longo de vários dias. A distribuidora registrou 3.703 ocorrências atendidas presencialmente e 693 solucionadas automaticamente apenas em 10 de novembro. O call center da empresa recebeu mais de 1,86 milhão de chamadas, alta superior a 200% em relação à média normal.
Segundo a Enel, apesar do pico de demanda, 94,7% das ligações foram atendidas em até 30 segundos, com taxa de abandono de 1,06%. As mensagens automáticas por BOT e e-mail tiveram picos superiores a 1.000% em alguns dias.
Em nota, a Aneel relatou que as informações enviadas pela Enel sobre o ocorrido em São Paulo ainda estão em fase de avaliação pela equipe técnica da agência reguladora e que, ao término do processo, será elaborado um relatório de fiscalização específico para o caso.
A Enel informou, também por meio de nota, que a diferença nos dados se deu depois da consolidação de informações preliminares e que o total de afetados equivale à “soma de unidade afetadas ao longo de mais de 12 horas seguidas de fortes ventos”.
“A informação foi apurada pela própria companhia pós-evento climático. A distribuidora destaca que o volume de 2,2 milhões de clientes atingidos –divulgado durante a operação de restabelecimento de energia– corresponde ao pico de instalações interrompidas simultaneamente”, declarou a Enel.
Segundo a companhia, o acumulado de desligamentos é apurado posteriormente aos eventos, pois inclui até a análise de sistemas de automação, que registraram e religaram unidades de forma imediata, sem a intervenção de equipes em campo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou a cobrança de órgãos do governo federal após os apagões que afetaram milhões de consumidores na Região Metropolitana de São Paulo.
Em despacho publicado em 12 de janeiro de 2026, Lula determinou que o Ministério de Minas e Energia, a AGU (Advocacia-Geral da União), a CGU (Controladoria-Geral da União) e a Aneel adotem medidas para apurar as falhas no fornecimento e a atuação da reguladora, com o objetivo de garantir a prestação adequada e contínua do serviço à população.
A ação reforça a direção administrativa do presidente sobre a execução e fiscalização de políticas públicas essenciais, além de elevar a pressão sobre o setor elétrico diante de repetidos episódios de interrupção no abastecimento.





