• Segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

G20: 3 apoiam e 8 condenam ataque dos EUA à Venezuela

Argentina, Itália e França elogiaram ação dos EUA; do G20, 8 integrantes adotaram tom cauteloso ou não se posicionaram.

Três líderes de países do G20 apoiaram o ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela e 8 condenaram a ação que culminou na captura de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) por forças americanas em Caracas no sábado (3.jan.2026).

Até este domingo (4.jan), Argentina, Itália e França elogiaram. Brasil, México, China, Rússia, África do Sul, Turquia, Canadá e União Europeia manifestaram condenação e 8 países do G20 adotaram posições neutras ou ainda não divulgaram declaração oficial.

O presidente da Argentina, Javier Milei, saudou o ataque como uma vitória pela “liberdade” e um passo para restaurar a democracia na Venezuela, alinhando-se à posição de Washington. 

Outra aliada foi a Itália, cujo governo fez comentários mais favoráveis à ação do que a maioria dos parceiros europeus, descrevendo a intervenção como “legítima” em um contexto de combate ao tráfico e à ameaça transnacional. 

O presidente da França, Emmanuel Macron (Renascimento, centro-direita), disse que Maduro “minou gravemente a dignidade do próprio povo” e defendeu uma “transição pacífica” no país.

Entre os integrantes do G20 que condenaram fortemente a ação norte-americana, estão Brasil, Canadá, México, China, Rússia, Turquia, África do Sul e União Europeia. Seus líderes consideraram a operação uma violação do direito internacional e da soberania venezuelana e pediram respeito à Carta das Nações Unidas e soluções políticas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o ataque à Venezuela foi uma “agressão inaceitável”. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que o país “sempre apoiou um processo de transição pacífico, negociado e liderado pela Venezuela, que respeite a vontade democrática do povo venezuelano.”

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou solidariedade ao povo venezuelano. “Acompanhamos de perto a situação na Venezuela. Apoiamos uma transição pacífica e democrática. Qualquer solução deve respeitar o direito internacional e a Carta da ONU [Organização das Nações Unidas]“, escreveu no X.

No campo neutro, 8 países do G20 adotaram posições cautelosas, sem apoio explícito: Alemanha, Reino Unido, Austrália, Índia, Indonésia, Japão, Arábia Saudita e Coreia do Sul. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a ação abre um “precedente perigoso” e convocou o Conselho de Segurança para uma reunião urgente.

O episódio reverberou em relações econômicas e geopolíticas, com governos ponderando impactos no comércio, energia e estabilidade regional. 

A resposta do G20 será observada de perto por mercados e investidores, à medida que se avalia se a divisão de posições afeta a cooperação econômica multilateral e a governança global em tempos de tensões crescentes.

O grupo dos 20 inclui a União Europeia como bloco e os países Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.

América:

Europa: 

Ásia:

Oriente Médio:

Oceania:

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou no sábado (3.jan.2026), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou o presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) e a primeira-dama Cilia Flores.

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan.2026). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeios, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.

Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.

G20

Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.

Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso dos EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.

É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação.

Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.

No início da tarde de sábado (3.jan.2026), Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.

Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.

Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.

Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.

A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.

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Por: Poder360

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