• Quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Irã diz que captura de Maduro é ilegal e pede libertação

Governo iraniano afirma que ataque dos EUA "não é motivo de orgulho" e que relações com a Venezuela seguem inalteradas.

O Irã pediu a libertação do presidente deposto da Venezuela pelos EUA, Nicolás Maduro, segundo a agência de notícias francesa AFP. O venezuelano deve comparecer à Justiça em Nova York, nesta 2ª feira (5.jan.2026).

“O presidente de um país e sua mulher foram sequestrados. Não há nada de que se orgulhar, é um ato ilegal. Como o povo venezuelano tem enfatizado, seu presidente deve ser libertado”, declarou a jornalistas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, nesta 2ª feira.

O governo iraniano também afirmou que as relações de Teerã com a Venezuela permanecem inalteradas mesmo depois da captura de Maduro. “Nossas relações com todos os países, incluindo a Venezuela, são baseadas no respeito mútuo e assim permanecerão. Estamos em contato com as autoridades venezuelanas”, disse.

O Irã condenou o ataque no sábado (3.jan), classificando-o como uma “violação flagrante da soberania nacional e da integridade territorial da Venezuela”, informou a AFP.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou no sábado (3.jan), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou Nicolás Maduro e Cilia Flores.

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeios, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.

Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.

G20

Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.

Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso dos EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.

É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação.

Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.

No sábado (3.jan), Trump afirmou a jornalistas que os EUA assumiriam temporariamente a administração do país até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.

Pela Constituição venezuelana, o poder deve ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.

Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.

Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.

A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.

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Por: Poder360

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