A Coreia do Norte afirmou ter realizado, no domingo (4.jan.2026), um exercício de lançamento de mísseis hipersônicos supervisionado pelo líder do país, Kim Jong-un.
Segundo a agência estatal KCNA, a atividade –descrita pelo governo norte-coreano como parte da “avaliação operacional” de seu sistema de dissuasão nuclear– teve como objetivo testar a prontidão dos armamentos e a capacidade dos soldados de mísseis, com alvos atingidos a cerca de 1.000 km no mar a nordeste do país.
No comunicado oficial, a Coreia do Norte mencionou a importância estratégica de manter e aprimorar uma dissuasão nuclear “poderosa e confiável” diante de um cenário internacional considerado “complexo”.
Kim Jong-un afirmou que o exercício permitiu confirmar avanços tecnológicos considerados relevantes para a defesa nacional e demonstrar a prontidão das forças nucleares do país. O líder norte-coreano declarou que, nos últimos meses, teriam sido obtidos “resultados importantes” na preparação das forças nucleares para um cenário de guerra real, atribuídos à linha política do partido e ao desenvolvimento científico e tecnológico no setor de defesa.
Os mísseis hipersônicos foram lançados do distrito de Ryokpho, na região de Pyongyang, em direção ao nordeste, atingindo alvos a uma distância de 1.000 km no Mar do Leste, denominação usada pela Coreia do Norte para o mar conhecido internacionalmente como Mar do Japão.
Segundo a agência Reuters, especialistas internacionais e autoridades militares de países vizinhos, no entanto, interpretam o lançamento como o 1º teste de mísseis balísticos da Coreia do Norte em 2026, em meio a um contexto regional tenso. O lançamento coincidiu com a visita de Estado do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, à China, principal aliada da Coreia do Norte.
Observadores apontam que a menção de Pyongyang a “geopolíticas recentes” pode estar relacionada às reações do regime a operações militares dos Estados Unidos na Venezuela e a tentativas de reforçar seu peso diplomático antes de um congresso partidário esperado para este mês.
Governos vizinhos registraram e condenaram os lançamentos. Autoridades do Japão afirmaram ter detectado ao menos um míssil balístico disparado em direção ao mar a leste do país e emitiram orientações ao público e às forças de defesa para monitorar a situação, reconhecendo que o projétil caiu no mar depois de alguns minutos de voo. A Coreia do Sul disse que os testes violam resoluções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) que proíbem atividades balísticas norte-coreanas e demandou que Pyongyang cesse o que chamou de provocações e retome negociações de paz na Península Coreana.
No fim do ano, Kim visitou empresas estratégicas da indústria de armamento para acompanhar a produção. No domingo (28.dez), acompanhou o lançamento de mísseis de cruzeiro de longo alcance, e na 3ª feira (30.dez) elogiou os novos lança-foguetes por ua capacidade de “aniquilar o inimigo”.





