O presidente da Colômbia, Gustavo Petro (Colômbia Humana, esquerda), pediu nesta 2ª feira (5.jan.2026) que a população “tome o poder” nos municípios caso seu governo seja alvo de uma ação considerada ilegítima dos Estados Unidos. A declaração foi publicada em seu perfil no X e ocorre após ataques verbais do presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), e ameaças de intervenção na região.
No domingo (4.jan), durante viagem a Washington, Trump criticou duramente o governo colombiano. “A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos”, disse, em referência a Petro.
Em resposta, Petro afirmou confiar na mobilização popular como forma de defesa institucional. “Tenho enorme confiança no meu povo, e é por isso que lhes pedi que defendam o presidente contra qualquer ato ilegítimo de violência. A forma de me defenderem é tomar o poder em cada município do país”, escreveu. Segundo ele, a orientação às forças de segurança é “não atirar contra o povo, mas sim contra os invasores”.
O presidente colombiano também alertou para possíveis divisões internas nas Forças Armadas. Disse que qualquer comandante que “prefira a bandeira dos Estados Unidos à bandeira da Colômbia” será afastado da instituição. Petro ressaltou que, pela Constituição, é o comandante supremo das forças militares e policiais do país.
Ao rebater as acusações de Trump, o presidente negou envolvimento com o narcotráfico e defendeu sua integridade pessoal. “Não sou ilegítimo, não sou narcotraficante. Meu único bem é a casa da minha família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários foram publicados. Ninguém pode dizer que gastei mais do que ganho”, afirmou.
Petro também citou ações de seu governo no combate às drogas, como apreensões recordes de cocaína, a retomada do controle da região de El Plateado, no Cauca — chamada por ele de “Wall Street da cocaína” — e operações militares contra grupos armados ligados ao tráfico, que, segundo disse, respeitam as normas do direito humanitário.
O presidente colombiano afirmou ainda ter ordenado a retirada de coronéis da área de inteligência da polícia colombiana por supostamente repassarem informações falsas contra o Estado. Disse temer que autoridades norte-americanas estejam se baseando nessas versões.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou no sábado (3.jan.2026), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou o presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) e a primeira-dama Cilia Flores.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan.2026). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeios, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.
Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana, para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.

Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.
Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso dos EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.
É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação.
Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.
No início da tarde de sábado (3.jan.2026), Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.
Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.
Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.
Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.
A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.
Leia mais sobre a ofensiva norte-americana à Venezuela:






