• Quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Tarcísio diz que Brasil falhou em liderar transição na Venezuela

Governador afirma que omissão abriu espaço para ação dos EUA e defende pragmatismo na relação com governo pós-Maduro.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse que o ataque dos Estados Unidos à Venezuela que culminou na captura e detenção de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) no sábado (3.jan.2026) representa o encerramento de “um ciclo ruim” na história do país e abre a possibilidade de reconstrução política e econômica. Também afirmou que a reação do Brasil à operação norte-americana evidencia falta de liderança regional e isolamento diplomático.

Segundo Tarcísio, o Brasil poderia ter exercido papel central na condução de uma transição democrática. “O Brasil, que é a maior economia e que responde pelo maior território da América do Sul, poderia ter ajudado a Venezuela a construir um processo de transição para uma democracia, mas o Brasil nunca fez isso”, disse.

Para ele, a operação liderada pelo governo de Donald Trump (Partido Republicano) se deu “pela omissão dos países que não lideraram o processo”. Embora tenha reconhecido que é possível “criticar os meios que foram usados agora, a legitimidade ou não”, afirmou que “algo precisava ser feito e foi feito”.

O governador avaliou que a posição adotada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contraria o sentimento predominante na região. Para ele, a deposição de Maduro foi bem recebida por governos sul-americanos porque o regime era “insustentável” e prejudicial aos países vizinhos.

“A deposição de um ditador que fez tão mal à Venezuela tem que ser celebrada”, afirmou. Tarcísio lamentou a postura contrária de Brasil e Colômbia, ao dizer que, “de maneira geral, a América do Sul está sintonizada nessa necessidade do fim da ditadura na Venezuela”.

Ao tratar do impacto político para o Brasil, disse que o país “se mostrou, nesse processo todo, irrelevante”. Segundo ele, um país com o peso regional brasileiro poderia ter conduzido uma saída “menos abrupta, negociada”. Criticou ainda a relação histórica com Caracas, ao afirmar que Maduro sempre foi tratado como “companheiro, nunca foi ditador”.

Sobre o futuro institucional venezuelano, Tarcísio defendeu a restauração da democracia e a convocação de eleições livres. “É importante um restabelecimento da democracia, com eleições livres, eleições que possam ser escrutinadas, acompanhadas”, afirmou, citando a deterioração do Judiciário e das Forças Armadas ao longo dos anos.

O governador também destacou o potencial econômico da Venezuela no pós-Maduro. Disse que a reconstrução da infraestrutura e a atração de investimentos devem entrar “à ordem do dia” e que o Brasil pode se beneficiar se adotar postura pragmática.

“Oportunidades se abrem para a Venezuela e o Brasil pode ser parceiro também nessas oportunidades”, declarou, ao defender o reconhecimento rápido de um governo legítimo e democrático em Caracas.

Além de Tarcísio, outros governadores demonstraram apoio à operação militar.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou no sábado (3.jan.2026), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou o presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) e a primeira-dama Cilia Flores.

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan.2026). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeios, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.

Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.

G20

Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.

Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso dos EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.

É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação.

Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.

No início da tarde de sábado (3.jan.2026), Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.

Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.

Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.

Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.

A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.

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Por: Poder360

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