Reconhecida como o Berço Nacional da Soja, a cidade de Santa Rosa, no Noroeste do Rio Grande do Sul, sedia entre os dias 1º e 10 de maio a edição histórica que celebra os 60 anos da Fenasoja. Integrando a programação oficial do evento no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson, foi realizado na manhã de sexta-feira (1º) o ato de Encerramento Nacional da Colheita da Soja.
O evento contou com a presença do vice-governador Gabriel Souza e de diversas autoridades. Na ocasião, o presidente da Emater/RS-Ascar, Claudinei Baldissera, apresentou os dados da segunda Estimativa da Safra 2025/2026 para as culturas da soja e do milho, evidenciando os impactos climáticos no desempenho das lavouras.
De acordo com a Emater/RS, a área de produção de soja na regional de Santa Rosa está estimada em 784.008 hectares. Atualmente, a produtividade esperada é de 2.350 kg/ha, com uma expectativa de colheita de 1.842.419 toneladas. Na região, os trabalhos de colheita já atingiram 77% da área total cultivada.
Até o momento, 14% das lavouras da região estão em fase de maturação, 8% em enchimento de grãos e 1% em floração. Baldissera destacou a grande variação de produtividade observada entre os produtores locais, com registros que vão de 1.200 a 4.200 kg/ha.
"A safra de verão da soja demonstra sensibilidade às condições climáticas. Os dados revelam um cenário desafiador. Há uma grande heterogeneidade regional em função da escassez de chuvas, o que impacta diretamente o desempenho das lavouras", ressaltou o presidente da Emater/RS.
No âmbito estadual, a estimativa aponta que o Rio Grande do Sul plantou 6.624.988 hectares de soja, com uma produtividade média projetada em 2.871 kg/ha e uma produção total estimada em 19.017.426 toneladas.
Diferente da soja, a cultura do milho tem demonstrado maior estabilidade na região de Santa Rosa. A nova projeção elevou a estimativa de colheita para 1.199.830 toneladas — um acréscimo de 66.822 toneladas em relação à previsão inicial, que era de 1.133.008 toneladas.
A estimativa de área foi revisada para cima, passando de 137.501 hectares para 150.204 hectares (um aumento de 12.703 ha). Já em relação a produtividade, a média atual está indicada em 7.988 kg/ha, uma leve retração de 3,1% em comparação aos 8.240 kg/ha previstos no início do ciclo.
Sobre a colheita, 94% das lavouras de milho da região já foram colhidas. O restante divide-se em enchimento de grãos (4%), maturação (1%) e floração (1%).
Embora as chuvas recentes tenham favorecido o desenvolvimento final e não haja registros de pragas ou doenças, a Emater/RS alertou para a possibilidade de geadas precoces interferirem no encerramento do ciclo das áreas remanescentes.
Em todo o Rio Grande do Sul, a área estimada para o milho é de 803.019 hectares, com produtividade de 7.424 kg/ha e uma produção final projetada em 5.961.639 toneladas.
Diante dos impactos da estiagem sobre o potencial produtivo da soja, a Emater/RS reforçou a necessidade de ações estruturais para mitigar os riscos climáticos que ciclicamente afetam o agronegócio gaúcho.
"A redução na produção e seus impactos financeiros são notáveis, o que reforça a necessidade de avaliar a vulnerabilidade climática e avançar em políticas públicas voltadas à irrigação, manejo e conservação do solo e da água", concluiu Claudinei Baldissera.





