• Sexta-feira, 1 de maio de 2026

Agrishow 2026 tem queda de 22% e fecha com R$ 11,4 bilhões em negócios

Feira realizada em Ribeirão Preto (SP) esta semana registrou 197 mil visitantes durante os cinco dias

A 31ª edição da Agrishow, principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina, encerrou suas atividades nesta sexta-feira (1º de maio) em um momento de cautela vivido pelo produtor rural brasileiro. O evento registrou um total de R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios, o que representa uma queda de 22% em relação ao desempenho do ano passado. O balanço final engloba as vendas projetadas para os setores de máquinas agrícolas, irrigação e armazenagem.

Apesar do recuo no volume financeiro, o público se manteve fiel à feira. Cerca de 197 mil pessoas passaram pelo parque de exposições ao longo dos cinco dias de evento, mantendo o patamar de visitação da edição anterior. No feriado de 1º de maio, os portões foram abertos excepcionalmente mais cedo, às 7h30, para acolher o grande fluxo de visitantes que buscavam conhecer os lançamentos tecnológicos de perto.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a retração nas vendas da feira acompanha uma tendência que já vinha sendo monitorada desde o início do ano. No final de abril, a entidade divulgou uma queda de 19,9% no mercado interno de máquinas no primeiro trimestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025.

O presidente da Câmara de Máquinas da Abimaq, Pedro Estevão, pontuou que o tripé formado por juros elevados, variação cambial e a desvalorização dos preços das commodities agrícolas afetou diretamente a capacidade de investimento dos produtores. Além disso, o anúncio feito pelo governo federal na abertura do evento sobre uma nova linha de crédito de R$ 10 bilhões via Finep acabou gerando um efeito: muitos produtores preferiram adiar o fechamento de contratos para aguardar a operacionalização do recurso.

Ainda assim, o presidente da Agrishow, João Marchesan, ressaltou a resiliência do setor. "Muito embora nós estejamos vivendo, há três anos, um mercado desfavorável, continuamos investindo no que há de melhor para a agricultura tropical no Brasil. A agricultura vive de ciclos e temos convicção de que este e os próximos anos serão favoráveis. Estaremos preparados para continuar atendendo à demanda do mercado brasileiro".

Nos corredores da feira, o clima era de avaliação criteriosa. Visitantes e profissionais do setor destacaram as dificuldades financeiras, mas reforçaram que a busca por eficiência segue no topo das prioridades.

"Está sendo um ano mais difícil porque não tem uma linha de crédito voltada ao produtor, mas os negócios estão aquecidos. O mercado está quente, principalmente buscando tecnologia para suprir a necessidade de ter uma maior produtividade e um maior rendimento no trabalho", contou o engenheiro agrônomo Marcelo Gabriel, à Itatiaia.

"Em torno de facilidade, até que não [está difícil], mas em valores algumas coisas sim. A gente trabalha com máquinas, tratores e implementos, então os valores estão bem puxados para o produtor", opinou Voldomir Marcos, encarregado de moto-mecanização.

Apesar das dificuldades, Luciano Pantaleão, empresário e vendedor de fertilizantes, mostrou otimismo. "Esse ano está mais difícil. Os preços das commodities estão bem baixos e os produtos estão caros. É um ano desafiador, mas estou otimista. O produtor é gigante e consegue sair dessa situação", disse.

Se os setores tradicionais sentiram a retração, os nichos voltados para a inovação acelerada mantiveram uma expectativa de expansão. É o caso do segmento de pulverização aérea e monitoramento.

Segundo Rafael Fernandes, Diretor de Vendas do Agronegócio da Xmobots, o cenário geral de fato se mostrou desafiador, mas as novas tecnologias conseguiram remar contra a maré. "O mercado está bem desafiador neste ano em função do cenário econômico interno e externo. Não havia a expectativa de ser uma grande feira para o setor como um todo", explicou Fernandes. "Por outro lado, nós trabalhamos com drones de pulverização, uma área que cresceu a uma taxa média de 42% ao ano nos últimos três anos. Por isso, em relação a 2025, a nossa expectativa ainda é fechar a feira com um crescimento de 20% em vendas", comentou.

Por: ITATIAIA

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