• Sábado, 17 de janeiro de 2026

“Escolhemos comércio justo a tarifas”, diz von der Leyen sobre acordo

Presidente da Comissão Europeia afirma que pacto Mercosul-UE cria maior área de livre comércio do mundo e reforça cooperação econômica, ambiental e geopolítica entre os blocos. Leia no Poder360

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou neste sábado (17.jan.2026) que o acordo firmado entre a União Europeia e o Mercosul representa uma escolha deliberada pelo “comércio justo” em vez de tarifas, rivalidades e isolamento.

A declaração foi feita durante a cerimônia de assinatura do acordo em Assunção, no Paraguai, no mesmo local onde foi firmado o tratado fundador do Mercosul. Segundo von der Leyen, o tratado simboliza uma decisão histórica de cooperação regional e integração entre povos.

Escolhemos uma parceria produtiva e de longo prazo. Acima de tudo, queremos entregar benefícios reais e tangíveis para nossos cidadãos e empresas”, afirmou.

A fala representa uma referência crítica ao contexto comercial mundial ditado pela administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). Desde que chegou ao cargo para seu 2º mandato, o norte-americano tem ampliado a imposição de tarifas de importação sobre países estrangeiros, no que tem sido interpretado como uma deterioração do multilateralismo.

Para von der Leyen, o tratado entre a UE e o Mercosul estabelece a eliminação de tarifas e outras barreiras comerciais, a abertura de compras governamentais e o estabelecimento de um marco regulatório baseado em regras para estimular investimentos e o fluxo de comércio. “Estamos criando a maior zona de livre comércio do mundo”, afirmou a líder europeia.

Von der Leyen destacou a criação de um mercado estimado em cerca de 700 milhões de pessoas e que representa quase 20% do PIB global. As negociações duraram 25 anos e atravessaram diferentes governos nos dois blocos. Com o novo acordo, cerca de 60.000 empresas europeias que já exportam para os países do bloco sul-americano — metade delas pequenas e médias — devem ser diretamente beneficiadas. “Isso criará empregos, oportunidades e prosperidade dos 2 lados”, disse.

A dirigente europeia também ressaltou que o acordo vai além do comércio. Segundo ela, há um capítulo robusto sobre comércio e desenvolvimento sustentável, com compromissos conjuntos voltados à transição para a neutralidade climática.

De acordo com von der Leyen, a Europa ampliará o acesso a matérias-primas estratégicas necessárias para sua transição energética, enquanto investimentos europeus devem apoiar os países do Mercosul em seus próprios processos de descarbonização. “É assim que o comércio deve funcionar: parceiros com forças complementares apoiando uns aos outros”, declarou.

Outro ponto enfatizado foi a relevância geopolítica do acordo. Para a presidente da Comissão Europeia, a parceria cria uma plataforma para cooperação em temas globais, como proteção ambiental, competitividade econômica e reforma das instituições internacionais. “Quando duas regiões como as nossas falam com uma só voz, o mundo escuta”, afirmou.

A amizade entre nossos povos é profunda. Hoje, estamos transformando essa amizade em uma parceria ainda mais forte”, disse. A presidente encerrou agradecendo aos países do Mercosul e afirmou que o acordo representa não apenas a aproximação entre nações, mas a conexão entre continentes.

Assista à cerimônia de assinatura do acordo:

Participam do encontro no Paraguai:

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia é um tratado de livre comércio que abrange cerca de 780 milhões de consumidores e representando aproximadamente 25% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial. Negociado por mais de 25 anos, o tratado busca reduzir progressivamente tarifas de importação, aumentando o comércio entre os blocos e criando oportunidades para produtos industriais europeus e produtos agropecuários sul-americanos. 

Além disso, o texto inclui regras sobre compras governamentais, serviços, propriedade intelectual, mecanismos de solução de controvérsias e compromissos ambientais relacionados ao Acordo de Paris e ao combate ao desmatamento.

O presidente Lula não foi à cerimônia, mas comemorou a assinatura do acordo, chamando o evento como uma “vitória do multilateralismo”. Em sua página no X, ele afirmou que o tratado representa um marco histórico de fortalecimento do diálogo entre os blocos, capaz de gerar emprego, renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico.

A assinatura do tratado não é a etapa final do acordo, mas é um passo formal importante. Para que o acordo entre oficialmente em vigor, ele precisa passar pela aprovação dos parlamentos de todos os países envolvidos, tanto no Mercosul quanto na União Europeia. Essa etapa é fundamental para transformar o compromisso assinado em regras efetivas de comércio.

No lado sul-americano, o tratado precisará passar pelos congressos nacionais de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Essa etapa é necessária porque o acordo estabelece obrigações legais dentro de cada país do bloco, incluindo redução de tarifas, mudanças nas regras comerciais e diversos compromissos regulatórios.

Durante os processos de ratificação, existe a possibilidade de aplicação provisória de certas partes do acordo, principalmente aquelas relacionadas à redução de tarifas. Isso permitiria antecipar benefícios econômicos antes da ratificação completa por todas as partes envolvidas. 

O acordo comercial entre os blocos só entrará plenamente em vigor depois da conclusão de todas as aprovações internas necessárias, tanto na União Europeia quanto nos países do Mercosul.

Entenda mais sobre o acordo no Poder360:

Depois de assinado, o processo exigirá análise pelo Parlamento Europeu. Determinadas partes do acordo também poderão necessitar de aprovação pelos parlamentos nacionais de cada país-membro da UE, dependendo da interpretação jurídica adotada –o que pode provocar divergências entre a decisão continental e decisões nacionais.

No lado sul-americano, o tratado precisará passar pelos congressos nacionais de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Essa etapa é necessária porque o acordo estabelece obrigações legais dentro de cada país do bloco, incluindo redução de tarifas, mudanças nas regras comerciais e diversos compromissos regulatórios.

Durante os processos de ratificação, existe a possibilidade de aplicação provisória de certas partes do acordo, principalmente aquelas relacionadas à redução de tarifas. Isso permitiria antecipar benefícios econômicos antes da ratificação completa por todas as partes envolvidas.

O acordo comercial entre os blocos só entrará plenamente em vigor depois da conclusão de todas as aprovações internas necessárias, tanto na União Europeia quanto nos países do Mercosul.

A UE  é o 2º maior parceiro comercial do Mercosul em bens. O acordo criaria uma área de livre comércio com mais de 700 milhões de pessoas e PIB combinado de US$ 22 trilhões.

O Brasil exportou US$ 49,8 bilhões à União Europeia em 2025, uma alta de 3,2% em relação a 2024. As importações somaram US$ 50,3 bilhões no ano passado, com crescimento de 6,4% em 1 ano.

A corrente comercial –soma das exportações e importações– superou US$ 100 bilhões pela 1ª vez na série histórica, iniciada em 1997. O volume subiu 4,8% em relação ao ano passado.

Segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), concluído no início de 2024, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia tem potencial para aumentar o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 0,46% até 2040, o equivalente a US$ 9,3 bilhões –cerca de R$ 50 bilhões na cotação atual. Eis a íntegra (PDF – 3 MB).

1. Eliminação de tarifas alfandegárias

2. Ganhos imediatos para a indústria

Setores beneficiados:

3. Acesso ampliado ao mercado europeu

4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis

5. Salvaguardas agrícolas

UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se:

6. Compromissos ambientais obrigatórios

7. Regras sanitárias continuam rigorosas

8. Comércio de serviços e investimentos

Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros.

Avanços em setores como:

9. Compras públicas

10. Proteção à propriedade intelectual

11. PMEs (Pequenas e médias empresas)

Por: Poder360

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