• Quarta-feira, 4 de março de 2026

Entidades repudiam plano de agressão de Vorcaro contra Lauro Jardim

ANJ e Fenarj criticam mensagens que mostram que fundador do Banco Master queria mandar agredir fisicamente o jornalista; conversas constam em decisão de André Mendonça. Leia no Pode360.

A ANJ (Associação Nacional de Jornais) e a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) divulgaram notas nesta 4ª feira (4.mar.2026) em defesa do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, após relatório da PF (Polícia Federal) apresentar mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Mastar, para forjar um assalto e agredir o jornalista.

O caso foi descrito em decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). Leia a íntegra da decisão (PDF – 384 kB).

Nas conversas pelo WhatsApp, Vorcaro menciona querer mandar agredir fisicamente o jornalista. Os diálogos foram realizados em um grupo chamado “A Turma”. Segundo a decisão, o grupo era utilizado para monitorar e intimidar pessoas consideradas contrárias aos interesses do empresário.

Em uma das mensagens, Vorcaro escreveu: “Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. Em outra conversa, afirmou: “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”. Na sequência, determinou que fosse levantado o endereço dela.

Na decisão, Mendonça registrou: “A partir de todos esses diálogos, verifica-se a presença de fortes indícios de que Vorcaro determinou a Mourão que forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para prejudicar violentamente o jornalista em questão e, a partir do episódio, calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”. Eis a íntegra (PDF – 389 KB).

A ANJ manifestou solidariedade ao jornal e ao colunista e afirmou que a tentativa de intimidação representa um ataque à liberdade de imprensa. A entidade também elogiou a atuação da Polícia Federal e as medidas adotadas pelo STF para garantir o livre exercício da atividade jornalística.

Já a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro afirmaram que o episódio representa “um ataque direto à liberdade de imprensa, ao direito à informação e aos pilares fundamentais da democracia”. As entidades defenderam a apuração rigorosa do caso e a responsabilização dos envolvidos.

Eis a íntegra da nota da ANJ:

“A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifesta sua solidariedade ao jornal O Globo e a seu colunista Lauro Jardim e expressa veemente repúdio às intenções criminosas que, segundo decisão do ministro André Mendonça, tinham por objetivo “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”. A determinação do ministro baseou-se na descoberta de um plano do ex-banqueiro Daniel Vorcaro de simular um assalto para “prejudicar violentamente” o jornalista.

A tentativa de intimidar um profissional de imprensa por meio de violência constitui ataque inaceitável à liberdade de expressão. Métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira.

A ANJ também cumprimenta a Polícia Federal pela descoberta das ameaças e o ministro André Mendonça pelas providências adotadas para salvaguardar o livre exercício da atividade jornalística.”

Eis a íntegra da nota da Fenaj:

“A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) manifestam seu mais veemente repúdio às gravíssimas denúncias reveladas pelas investigações da Polícia Federal, que apontam a existência de um plano criminoso para intimidar e agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo e da Rádio CBN.

Segundo as apurações, o banqueiro Daniel Vorcaro teria articulado ações de monitoramento, perseguição e violência física com o objetivo explícito de calar um jornalista em razão do exercício de sua atividade profissional. Trata-se de um ataque direto à liberdade de imprensa, ao direito à informação e aos pilares fundamentais da democracia.

A Fenaj e o Sindicato reafirmam que qualquer tentativa de intimidação, ameaça ou violência contra jornalistas não é um fato isolado, mas parte de um ambiente de constante hostilidade contra a imprensa no Brasil. Atacar um jornalista é atacar toda a sociedade, que depende da informação livre, crítica e independente.

Exigimos a apuração rigorosa dos fatos, a responsabilização exemplar de todos os envolvidos e a adoção de medidas efetivas de proteção aos profissionais da comunicação. A FENAJ e o SJPMRJ se solidarizam com Lauro Jardim e com todos os jornalistas que, diariamente, seguem exercendo seu trabalho sob risco e pressão.

Não aceitaremos o silenciamento da imprensa. Sem jornalismo livre, não há democracia.”

O caso chegou ao Supremo por envolver autoridades com prerrogativa de foro: na operação Compliance Zero, que investiga o Master, foi encontrado pela Polícia Federal um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) em um endereço ligado a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A relatoria do ministro foi marcada por rumores, críticas, decisões consideradas controversas e embates com a PF. Leia as principais:

Essas e outras relações de Toffoli com o caso Master elevaram a pressão para que o ministro deixasse a relatoria.

A temperatura subiu quando o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, levou em 11 de fevereiro um relatório ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que sugeria a declaração de suspeição de Dias Toffoli na relatoria do caso Master.

A decisão de Andrei, considerada ousada, uniu 8 dos 10 ministros da Corte em defesa do colega, como mostraram diálogos exclusivos da reunião publicados pelo Drive e pelo Poder360. Na ocasião, foi decidido que Toffoli deixaria a relatoria da investigação em busca de uma autopreservação da Corte. Com a saída do ministro, a relatoria foi redistribuída para André Mendonça.

O Poder360 revelou em 29 de janeiro de 2026, com exclusividade, os depoimentos dos principais citados no caso Master.

A PF realizou uma acareação entre Paulo Henrique Costa, Daniel Vorcaro e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, para esclarecer contradições dos depoimentos sobre a origem das carteiras de crédito negociadas entre o BRB e o Banco Master.

O procedimento foi conduzido pela delegada Janaina Pereira Lima Palazzo em 30 de dezembro de 2025 na sede do Supremo Tribunal Federal. Tudo foi gravado em vídeo e o Poder360 teve acesso.

São 32 reportagens, 8 vídeos com as íntegras dos depoimentos, 15 vídeos com cortes de trechos dos depoimentos e uma apuração extensa. Acesse todos os materiais aqui.

Leia outras reportagens sobre o Caso Master já publicadas pelo Poder360:

Depoimentos:

📹 Assista à íntegra do depoimento de Aquino: parte 1 e parte 2.

Por: Poder360

Artigos Relacionados: