• Quarta-feira, 4 de março de 2026

Câmara de Niterói aprova título a Ludmilla e sessão termina em discussão

Câmara de Niterói aprova título a Ludmilla e sessão termina em discussão | Poder Brasil

A Câmara de Vereadores de Niterói (RJ) aprovou por 8 votos a 6 a concessão do título de cidadã honorária à cantora Ludmilla na 3ª feira (3.fev.2026). A votação dividiu o plenário e terminou em discussão entre as vereadoras Fernanda Louback (PL) e Benny Briolly (Psol), autora da proposta, o que levou ao encerramento antecipado da sessão.

“É inadmissível que as pessoas não conseguem olhar para uma mulher que produz arte popular. Uma mulher que é bilionária, com seu próprio dinheiro… E não conseguir olhar o trabalho dessa cantora e respeitar”, disse Brioli após a aprovação do título. “Não vai ter bolsonarista, não vai ter facista, não vai ter quem vai silenciar a minha voz, os meus projetos e a minha audácia de vencer”, acrescentou.

Durante a justificativa de voto contrário à proposta, Fernanda Louback afirmou que a cantora teria descumprido a lei conhecida como “Anti-Oruam”, que proíbe uso de verba pública para espetáculos com apologia ao crime ou às drogas. A vereadora se referiu ao conteúdo das letras das músicas de Ludmilla, que foi atração do réveillon de Niterói de 2026. Citou sucessos da cantora como “Bota” e “Verdinha”, e alegou que a cantora fez apologia ao crime e a drogas.

“Impressionante que hoje parece que é crime no Brasil você ser branco. Eu acho que isso é crime hoje. Vocês me culpam por ter nascido. Inclusive, meu avô materno é negro. E o outro lado da família é alemão. É uma mistura danada. Todo mundo no país é miscigenado. Então, hoje em dia isso é problema (…) Eu fui contra o título pelo que foi feito na cidade de Niterói. Eu lá conheço a cantora? Eu sei o que ela fez na minha cidade, que foi infringir uma lei de minha autoria 7 dias depois da sanção. Isso é um vexame para a população de Niterói”, declarou Fernanda Louback.

No momento da fala de Louback, a vereadora foi interrompida. Houve uma reclamação de quebra de decoro sob a alegação de que Briolly.

Em seguida, Louback disse: “Sabe o que é engraçado? Defende tanto o povo negro e olha a cor do cabelo hoje”. Briolly é uma mulher trans negra e tem o cabelo com mechas loiras.

A discussão se intensificou com pedidos de Louback para ser respeitada e partindo em direção à Benny Briolly. Assessores intervieram para evitar agressões físicas. Em seguida, a sessão da Câmara de Niterói foi encerrada.

Assista ao momento (4min57s):

Nas redes sociais, Louback disse que “não vai aceitar desrespeito” e afirmou que, enquanto estava na tribuna, sofreu interrupções, gestos e gravações com intuito de deboche. Ela criticou o fato de a atitude ter partido da presidente da Comissão da Mulher, “na semana das mulheres”.

Briolly, afirmou ter sofrido tentativa de silenciamento: “Foram para cima, aos gritos, tentando transformar o plenário em palco de tumulto. Não conseguiram. Por 8 votos a 6, o título foi aprovado”.

Por: Poder360

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