• Quinta-feira, 26 de março de 2026

Diesel mantém trajetória de alta e acumula avanço próximo de 25% em março, pressionando cadeia logística, aponta IBPT

Alta do diesel S10 chega a 24,98% em março de 2026, com impactos severos no frete e no agronegócio. Confira os dados do IBPT sobre o preço dos combustíveis

Alta do diesel S10 chega a 24,98% em março de 2026, com impactos severos no frete e no agronegócio. Confira os dados do IBPT sobre o preço dos combustíveis O preço médio dos combustíveis vendidos pelas distribuidoras aos postos de combustíveis segue em trajetória de alta na terceira semana de março de 2026, com destaque para o diesel, que consolida o movimento de aumento observado desde o início do mês. Dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), com base em mais de 257 mil notas fiscais eletrônicas, indicam que o avanço deixou de ser pontual e passou a configurar um ciclo consistente de pressão sobre os custos energéticos no país. Na primeira semana de março, o diesel já apresentava elevação relevante, com altas médias próximas de 9%. Na segunda semana, esse movimento se intensificou, superando 19% em algumas variações. Agora, no consolidado até o dia 23, o Diesel S10 comum acumula alta média nacional de aproximadamente 24,98%, com acréscimo superior a R$ 1,25 por litro nas distribuidoras, evidenciando uma escalada contínua ao longo do mês.
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    O comportamento reforça que o aumento não está mais associado a eventos pontuais, mas a uma recomposição estrutural de preços no setor. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Segundo Gilberto Luiz do Amaral, Coordenador de estudos e presidente do Conselho Superior do IBPT, o cenário já configura um impacto sistêmico na economia. “ O diesel se consolidou como o principal vetor de pressão inflacionária neste mês. Como ele está diretamente ligado ao transporte de cargas, qualquer variação relevante tem efeito imediato sobre toda a cadeia produtiva, impactando desde o agronegócio até o consumidor final.“ A análise regional mostra que o aumento segue disseminado em todo o território nacional, com destaque para Centro-Oeste e Nordeste, que lideram as variações mais expressivas. No Centro-Oeste, o Diesel S10 comum chegou a subir mais de 30% no período, enquanto no Nordeste as altas também se aproximam desse patamar, reforçando o caráter generalizado da pressão. Além disso, os dados indicam que o preço praticado pelas distribuidoras vem sendo rapidamente repassado aos postos. Em diversas regiões, o diesel já ultrapassou a marca de R$ 8,00 por litro no varejo ao longo do mês, evidenciando que a pressão de custos já alcançou o consumidor final. Para o Diretor do IBPT Carlos Alberto Pinto Neto, o comportamento do mercado indica uma dinâmica de repasse praticamente integral. “O que observamos é uma transmissão direta da alta do atacado para o varejo. Mesmo com alguma compressão de margem em determinados momentos, especialmente no diesel, o repasse ocorre porque os custos não são mais absorvíveis ao longo da cadeia.” A gasolina também mantém trajetória de alta, embora em ritmo inferior ao diesel. Após subir cerca de 2% na primeira semana e ultrapassar 5% na segunda, o combustível registra agora avanço médio próximo de 9% no acumulado do mês, com picos superiores a 13% em regiões como o Nordeste. O movimento indica um efeito de contágio, ainda que concentrado principalmente no diesel, que segue como principal vetor de pressão. Diferentemente das semanas anteriores, quando o etanol apresentava queda ou estabilidade, o combustível também passou a registrar leve alta no consolidado do mês, com variação média de 1,39% no Brasil. Embora ainda represente o combustível com menor volatilidade, o etanol deixa de atuar como principal válvula de escape para o consumidor, reduzindo alternativas de mitigação do impacto. O levantamento do IBPT também indica que medidas como a isenção de PIS e Cofins sobre o diesel tiveram efeito limitado. O reajuste de preços ao longo da cadeia, somado à volatilidade internacional do petróleo, acabou neutralizando os impactos da desoneração. “O mercado reagiu de forma mais intensa do que as medidas de alívio fiscal. Isso mostra que o problema não está apenas na carga tributária, mas na dinâmica estrutural de formação de preços e na dependência externa do setor”, avalia Amaral. Com a consolidação da alta, os efeitos sobre a economia tornam-se mais evidentes. O aumento do diesel impacta diretamente o custo do frete, pressionando preços de alimentos, insumos industriais e bens de consumo. Setores como agronegócio, indústria e transporte rodoviário já enfrentam dificuldades para absorver aumentos que, em algumas regiões, ultrapassam 30%, o que tende a gerar efeito cascata nos preços ao consumidor. O estudo faz parte do monitoramento contínuo realizado pelo IBPT, que acompanha semanalmente o comportamento dos preços nas distribuidoras com base em dados reais de mercado. A evolução observada ao longo de março indica que a pressão sobre os combustíveis não apenas persiste, como se intensifica, sinalizando a continuidade desse cenário nas próximas semanas. A íntegra do estudo do IBPT, com a metodologia completa e os dados detalhados por região e período, está disponível neste link. Sobre o IBPT Fundado em 1992, o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) dedica-se ao estudo do complexo sistema tributário brasileiro, sendo reconhecido pela adoção de linguagem clara e precisa para comunicar à sociedade a realidade tributária do país. O instituto também contribuiu de forma pioneira para a disseminação do conceito de transparência fiscal e para a conscientização tributária. Pioneiro na criação de estratégias de mercado para empresas e entidades setoriais a partir da análise de dados fiscais públicos e abertos, o IBPT sua spin-off Empresômetro mantém investimentos contínuos em tecnologia e na capacitação de sua equipe, possuindo o maior banco de dados privado com informações tributárias e empresariais do país. VEJA MAIS:
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  • ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
    Por: Redação

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