A Justiça da Itália aceitou nesta 5ª feira (26.mar.2026) o pedido do governo do Brasil para extraditar a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A ex-congressista só retornará para o país e cumprirá sua pena depois da decisão final do governo italiano, com a análise de todos os recursos. Sua defesa ainda pode recorrer à Corte de Cassação de Roma.
Se for extraditada, Zambelli ficará detida na PFDF (Penitenciária Feminina do Distrito Federal), conhecida como Colmeia. A informação foi confirmada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes em resposta à solicitação da Justiça Italiana. Veja imagens do presídio nesta reportagem.
Zambelli aguarda a decisão da Justiça italiana desde julho de 2025, quando foi detida pela polícia em um apartamento em Roma. Segundo a defesa, ela decidiu se apresentar às autoridades italianas.
A decisão da Corte de Apelação foi informada à Embaixada brasileira pelos advogados. Caberá ao Ministério das Relações Exteriores acompanhar eventual processo de extradição para o Brasil.
A análise do caso foi iniciada em 11 de fevereiro, quando a Corte negou o pedido para alterar a composição dos juízes do caso sob a alegação de “falta de imparcialidade”. Os juízes entenderam que a tese tinha o objetivo de protelar o julgamento.
Carla Zambelli foi condenada em maio de 2025 pelo STF a 10 anos de prisão e ao pagamento de R$ 2 milhões por danos coletivos por invadir o sistema do CNJ. O ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva da deputada.
De acordo com as investigações, Zambelli foi a autora intelectual da invasão ao sistema do CNJ para a emissão de um mandado falso de prisão contra Moraes. Ainda conforme a investigação, o hackeamento foi executado por Walter Delgatti, que também foi condenado e disse ter realizado o trabalho a mando da congressista.
Em junho de 2025, Zambelli deixou o Brasil e passou a ser considerada foragida. O nome da congressista chegou a ser incluído na lista vermelha da Interpol, a pedido do ministro Alexandre de Moraes. Em julho, Zambelli foi presa em Roma, capital da Itália.
O governo brasileiro pediu a extradição de Carla Zambelli. O pedido foi oficializado pelo STF e o requerimento foi enviado pelo Itamaraty ao governo italiano.
Em agosto, ela também foi condenada pelo STF a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal contra o jornalista Luan Araújo em São Paulo, na véspera do 2º turno de 2022. O STF determinou a perda do mandato parlamentar após o fim da possibilidade de recurso, bem como o pagamento de uma multa de 400 salários mínimos vigentes em 2022 com atualização monetária.





